Connery. Sean Connery – Astro imortalizado como 007 morre aos 90 anos

Sean Connery

Sean Connery partiu aos 90 anos, deixando uma rica filmografia marcada na história do Cinema

Durante o sono, calmo e em paz. Assim partiu Sean Connery, dono de uma das vozes mais marcantes do cinema e considerado um dos homens mais sexys da história. Mas o escocês era bem mais que isso. Vencedor do Oscar por Os Intocáveis, Connery era sinônimo de segurança. Tê-lo em cena era certeza de bom filme, ou, ao menos, uma boa porcentagem de qualidade. Era daqueles atores que suscitavam a frase: “Se tem o Sean Connery, então deve ser bom”.

E era. Sua presença e seu talento eram tão notáveis que quando falamos em James Bond e 007, lembramos dele. Nem Daniel Craig, o espião atual, é capaz de surgir na memória antes de Connery. A imagem do astro empunhando a arma e fazendo cara de galã é símbolo da franquia e um dos momentos mais emblemáticos da carreira do ator.

Entre obras-primas e fracassos, foi um homem notável

Connery esteve em obras-primas e bombas indesculpáveis. Trabalhou com Alfred Hitchcock e Michael Bay (naquele que talvez seja o melhor filme do diretor das explosões), experimentou a ação, a comédia, o drama e o romance. Venceu Oscar, recebeu honrarias da Rainha Elizabeth, foi considerado o “Grande Escocês Vivo” pelo The Sunday Herald e considerado não só o homem mais sexy de 1989, mas o homem mais sexy do século pela People Magazine.

Connery era cool sem forçar. Apenas era. Dos movimentos ao olhar, passando pela voz e tiques; tudo moldava a persona mais legal que se podia ter na cultura pop. Todos queriam ser Sean Connery. Nem sempre foi assim. Ian Fleming, o criador de 007, achou que faltava classe para o ator assim que o conheceu. Sean conquistou a classe. Transformou-se num homem luxuoso e invejável. A elegância deveria lhe servir como um smoking bem alinhado. E serviu. Por décadas e décadas, serviu.

O filho de um motorista de caminhão e uma faxineira acabou se tornando símbolo de alta classe, um ironia do destino. Mas Connery interpretava um papel, e, assim como um smoking, ele conseguia despir-se de tamanha elegância. Seu personagem em Os Intocáveis é simples, gente boa, com enorme senso de justiça. Talvez seja um papel bem próximo do que o ator era na realidade.

Elegância, inteligência, tranquilidade… adjetivos cada vez mais raros em astros deste porte

Foi símbolo de inteligência, sabedoria. Não foram poucos os papéis em que surgia como o mestre, professor, figura paterna e/ou exemplar. Inteligência mostrou, também, fora das telas. Foi sábio e frio o suficiente para se aposentar quando ainda podia fazer muitos outros filmes. Seu último foi em 2003, com A Liga Extraordinária. Era um filme fraco, cujas poucas qualidades emanavam justamente do talento do veterano. Seu último filme realmente notável foi Encontrando Forrester, um emocionante drama de Gus Van Sant. Um respiro de qualidade entre tantos longas de ação e de gostos duvidosos.

Aposentou-se e deixou a indústria de lado. Curtiu a aposentadoria, que adorava, e teve um tempo com a esposa, que era sua companheira desde 1975. Teve tempo de olhar para trás, orgulhar-se e viver anos tranquilos antes de uma partida pacífica. Uma despedida calma em um ano tão tumultuado. Deixa saudades, admirações e uma porção de filmes incríveis, que povoam uma filmografia rica. Foi Bond, caçou Capone, deu vida à obra de Eco, foi pai de Indiana Jones e até dragão. Foi Connery. Sean Connery.

Nota

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