Crítica: com Tom Hanks, Greyhound é filme de guerra curto e correto

Indo direto ao ponto, Greyhound é um pequeno filme que parece uma longa sequência de ação

A guerra é um assunto que parece agradar Tom Hanks. Depois de ser o rosto de um dos maiores épicos do gênero, O Resgate do Soldado Ryan, Hanks ainda produziu Band of Brothers The Pacific para a HBO. Caso contemos outros conflitos, veremos o ator correndo nos campos de batalha do Vietnã e tentando sobreviver a um ataque pirata em seu navio de carga. Em Greyhound, o ator testa os dotes de roteirista e cria um filme de guerra correto, curtíssimo e que não decepciona, embora não marque.

Claramente bebendo na fonte de Dunkirk, Greyhound cria tensão através do tempo que passa sem concessões. No início da história, os navios vagam pelo oceano aguardando um apoio aéreo que só chegará 50 horas depois. A contagem regressiva começa e a narrativa toda se desenvolve no mar e nas embarcações. A trilha sonora ininterrupta ajuda a criar uma atmosfera pesada, enquanto a fotografia mergulhada em cinza parece tirar toda a vida do espaço.

Com noventa minutos de duração, o longa é um sopro se comparado a outros exemplares do gênero. Excetuando-se apenas uma breve e dispensável introdução, com o capitão de Hanks conversando com a esposa, o filme é basicamente uma longa cena de ação. É como se fosse o clímax de algo maior. Neste sentido, os pontos para a produção são positivos, já que não há chance de o público respirar ou desvirtuar.

Produção está carregada de ufanismo, mensagens cristãs e efeitos visuais

Direto ao ponto, o roteiro não tenta desenvolver muitos personagens ou criar conflitos internos. Trata-se de um navio no meio do confronto marítimo e, tirando Hanks, nenhum outro rosto torna-se marcante durante a história. O que vale aqui é a experiência e o gigantismo da batalha. Nesta perspectiva, a produção não poupa esforços para recriar sequências que enchem olhos e ouvidos. Há de se apontar, entretanto, o excesso de efeitos visuais, que roubam a atenção para si e carregam na artificialidade. O drama humano se perde e a ação computadorizada salta.

Apesar de rapidez, da frieza dos personagens e do caráter puramente divertido, Greyhound cumpre o seu papel e entretém por pouco mais de uma hora. Hanks, que escreve o projeto, carrega no ufanismo e nas mensagens cristãs, mas nada que prejudique o resultado final. O astro, inclusive, alegou estar triste com o fato do filme ter sido cancelado nos cinemas e lançado diretamente na Apple TV. Sua decepção é compreensível: Greyhound é o tipo de filme que merece a melhor qualidade de imagem e som.

Nota

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