Crítica: Corra!, destaque do terror moderno, chega à TV aberta

Corra!

Corra! é um dos maiores expoentes de uma invejável safra de horror moderno

Você não precisa de uma drama cerebral lotado de diálogos e sequências longuíssimas para discutir um tema socialmente relevante. É por isso que muitos diretores optam pelo terror ou ficção científica para discorrer sobre assuntos polêmicos. O terror talvez seja o único gênero que permite todo e qualquer tipo de discussão. Com fama de rebelde, de ovelha negra, é o gênero menos respeitado, mas que mais tem a oferecer. Talvez por isso mesmo seja tão importante: no terror é possível ser inteligente e divertido ao mesmo tempo. É o tipo de cinema que Jordan Peele começou a explorar com Corra! e vem fazendo sucesso até então.

Com Corra! e mais recentemente Nós, o cineasta norte-americano vem lapidando sua abordagem de simbolismos e discussão racial sem nunca perder a mão da diversão e do bom humor. Lançado em 2017, Corra! deixou uma impressão tão poderosa que foi um dos raros filmes que são lançados nos primeiros meses do ano e têm força para chegar na corrida pelo Oscar. A estreia de Peele na direção foi tão elogiada e discutida, que conseguiu caminhar com fôlego de sobra até a maior festa do Cinema. E não fez feio: além de indicações a Melhor Filme, Direção e Ator, o longa ainda levou a estatueta de Melhor Roteiro Original.

Longa de Jordan Peele é considerado um dos melhores e mais importantes filmes do século XXI

Na trama, Chris é um jovem negro que namora Rose, uma garota branca que conheceu há poucos meses. Convidado pela namorada, o fotógrafo viaja até a casa dos pais da moça, no interior dos Estados Unidos. As estranhezas e peculiaridades da família começam a se destacar em uma visita cada vez mais sufocante e misteriosa. Além disso, não demora para que Chris descubra estar no meio de uma trama assustadora e inescapável.

Corra!, portanto, conquistou tantos fãs e rendeu discussões tão longas e acaloradas por ser o tipo de filme que esconde diversos detalhes, sem jamais duvidar da inteligência e percepção do público. Peele acerta, portanto, ao não esfregar conceitos e metáforas no rosto do espectador. Trata-se de uma narrativa aparentemente simples que enriquece com um olhar atencioso. Corra! convida para uma experiência única e repleta de recompensas. Essa caça aos simbolismos, que tornou-se ainda mais intensa em Nós, seu filme seguinte, manteve o longa aquecido por meses e ainda o sustenta até hoje, sendo frequentemente apontado como um dos melhores filmes de horror do século XXI.

Corra!

O terror ganha cada vez mais respeito e espaço. Corra! é um dos responsáveis por isso

Assim, a obra de Peele é mais um grande expoente de uma safra riquíssima de novos longas de horror. Ao lado de nomes como Ari Aster e Robert Eggers, Jordan Peele constrói uma filmografia de horror moderno que aquece os fãs do gênero e prova, de uma vez por todas, que este segmento do cinema é um dos mais interessantes que se tem notícia. O alcance destes filmes é, portanto, muito maior do que um drama introspectivo digno de Cannes. Por ser um gênero popular, o terror chega a públicos que, de outras formas, não conheceriam as histórias propostas.

A Bruxa é um conto sobre feminilidade e opressão. Midsommar é uma claustrofóbica releitura de um término de relacionamento. Corrente do Mal uma alegoria para as relações frágeis e inconstantes do jovem moderno. His House, lançamento recente da Netflix, debate a questão dos refugiados como nenhum outro, até então, conseguira fazer. E não é só o horror moderno que envereda aos temas mais sérios. Halloween, de Carpenter, já ensaiava comentários potentes antes mesmo do slasher virar moda. O horror, no frigir dos ovos, sempre foi um dos gêneros que melhor soube lidar com a realidade que assoma todos nós.

Neste perspectiva, o terror ofereceu respostas às guerras, aos medos suburbanos, às tensões fronteiriças, às disputas raciais e de gênero e a cada nervo exposto da sociedade. Corra! também permanece ativo por tratar de um tema que nunca deixa de ser relevante. Trata-se de um ponto que nunca é resolvido ou abrandado. Assim, sempre que houver uma barbaridade envolvendo preconceito racial, principalmente em terras estadunidense, espere para ver a popularidade de Corra! crescer. Nesta perspectiva, portanto, a força do filme jamais há de arrefecer.

Filme chega à TV aberta brasileira para repetir o sucesso 

Desta forma, Corra! repete o trajeto de outros grandes clássicos do gênero. Como Halloween, parte de um princípio simples para despertar uma discussão maior. Seja nas cores dos figurinos bem como no algodão que sai da poltrona, o filme de Jordan Peele é uma mina de ouro para quem quiser estudar e entender a força do cinema. E isso tanto na parte técnica quanto seus reflexos no mundo externo. Tudo amparado por um excelente elenco comandado por Daniel Kaluuya.

Depois de ser sucesso nos Cinemas, nas plataformas de streaming, em DVD/Blu-Ray e canais fechados, Corra! agora chega à TV aberta brasileira. Você pode conferir a esta joia do terror moderno na Rede Globo, segunda, 02 de novembro, na Tele Quente.

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