Crítica: Festa de Formatura, do Netflix, não é perfeito mas pode divertir o público

Novo filme de Ryan Murphy, Festa de Formatura está disponível no Netflix

Ironia. No ano em que os palcos ficaram ainda mais distantes do grande público devido à pandemia, os musicais tomaram conta das casas da pessoas ao redor do mundo.

Graças ao streaming, títulos da Broadway levaram seu encanto para novos públicos: o mais famoso deles, Hamilton, se tornou tópico de debate mundial depois de sua estreia no Disney+. Na Netflix, um filme adaptação de uma recente peça dos musicais americanos ganhou vida na linguagem do cinema.

Só deu ele

O ano é de Ryan Murphy na internet. O famoso autor das séries Glee e American Horror Story é fã declarado dos musicais e vem cada vez mais ocupando espaços como diretor em Hollywood. Depois de The Politician, Hollywood e Ratched, a Netflix lança o projeto mais leve do escritor na sua plataforma, Festa de Formatura.

Murphy reúne na trama tudo o que ele adora: a boa mensagem de apoio à diversidade, exuberantes personagens com síndrome de diva e músicas à vontade para todos os atores mostrarem seus talentos.

Uma palavra que não descreve esse filme é ousadia. Nele, podemos ver todos os clichês que um bom fã das séries de Ryan Murphy estão acostumados: atuações com uma pitada de exagero, humor mais despretensioso e personagens sem muito desenvolvimento.

Para o bem do telespectador, ele deve ter em mente que as situações na tela são alegorias para coisas que acontecem no mundo real, mas não são reproduzidas com todas as suas complexidades e reviravoltas, comum à realidade.

O elenco

O elenco dá ao roteiro toda a legitimidade que ele poderia não conseguir com algumas outras escalações. Meryl Strepp e Nicole Kidman atraem público para qualquer filme, podemos ser sinceros sobre isso. Andrew Rannells é o nome que pode passar despercebido, mas não deveria.

O ator tem vasta experiência com peças musicais de sucesso na Broadway, como The Book of Mormon, hit do qual ele protagonizou uma das versões. Suas cenas são feitas como quem já fez isso nos palcos e sabe como faz.

Uma escalação polêmica, que não me incomodou nem um pouco, foi a de James Corden. Na trama, o apresentador de sucesso interpreta um ator homossexual. Muitos argumentam que um ator hétero não deveria fazer uma versão gay caricata dessa forma.

Murphy, que é gay, assume a direção. Além disso, dentre a dupla autores, Chad Beguelin também é gay. A questão da representação visual foi idealizada por pessoas que certamente não tinham intenção de entregar ao público uma imagem negativa do grupo LGBT.

Ademais, o ator é engraçado e muito simpático na sua performance – que não falta com respeito em momento algum com seu público. Dois acertos certos foram Kerry Washington e Keegan-Michael Key. Os dois legitimam muitos seus personagens e nos fazem questionar menos as escolhas (muito) rápidas que o roteiro toma.

O filme funciona?

Mas o filme não tem o tempo como amigo. Ao adaptar uma trama sem muitas complexidades e sem a grandeza que os números musicais inevitavelmente tem num palco, exceder 120 minutos é um caminho perigoso que Festa de Formatura resolveu seguir. Mesmo se ousasse aumentar a escala de tamanho de seus momentos musicais, ficaria maçante para o público. A diminuição de cerca de vinte ou trinta minutos do produto final deixaria o filme bem mais dinâmico e a experiência mais satisfatória para sua audiência.

Veredito final

No final, o filme diverte. Adaptar uma peça da Broadway para o cinema é um desafio muito grande que quase sempre pode levar à perda do brilho que a narrativa tem – daí o sucesso de Hamilton, filmado no próprio palco com a linguagem de teatro.

Mesmo com os obstáculos, é possível se divertir com os diálogos, os personagens exagerados e os números musicais que não caem na tentação de se repetirem ao longo do filme e trazem individualidade para cada música apresentada. Festa de Formatura é muito claramente fruto de um desejo grande de Ryan Murphy – assim como Ratched e Hollywood.

O filme rende um bom tipo de consumo, perfeito para um domingo a tarde sem pensar em nada. Só vendo, ouvindo e pode ser até que rindo – se estiver com a cabeça aberta.

 

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Nota

Guilherme Bezerra

Pernambucano estudando Jornalismo na Paraíba. Aficionado por cinema, sou fã de Tarantino e Nolan. Acredito em estudar a arte do cinema e espalhar para o máximo de pessoas as discussões e reflexões que podem encontrar através dessa arte. Luto pela valorização do cinema nacional.

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