Crítica: King Kong (2005), um épico a ser revisitado

Critica King Kong

Qual o próximo passo depois de atingir o ápice? Peter Jackson ganhou bilhões de dólares e 17 Oscar com a trilogia O Senhor dos Anéis. Só o terceiro capítulo abocanhou 11 estatuetas, sendo o maior vencedor da premiação ao lado de Titanic e Ben-Hur.

Era o topo do mundo para o cineasta que saiu da Nova Zelândia fazendo filmes de terror trash com orçamentos mínimos. De diretor pouco ou nada conhecido, Jackson foi alçado ao patamar dos gigantes. Assim, ele poderia escolher o projeto que bem entendesse e os estúdios dariam o dinheiro necessário para que a produção nascesse.

Fã ardoroso do King Kong original, Jackson não pensou duas vezes antes de escolher com qual brinquedo jogar. E o sujeito recebeu carta branca para fazer o épico do seu modo, com total liberdade criativa, muita grana e a palavra final.

Um épico clássico

Prova da liberdade de Jackson pode ser constatada logo na duração do filme, que quase bate os 190 minutos. Além disso, o cineasta caprichou nas insanas escalações de elenco. Apesar do talento inquestionável de seus atores, as escolhas são arriscadas e peculiares. Na linha de frente, no posto de galã, Adrien Brody, surfando na onda de um Oscar. No papel da mocinha, Naomi Watts, atriz de gabarito reconhecida por dramas menores, como Cidade dos Sonhos e 21 Gramas.

Nenhuma presença chocou mais do que a de Jack Black. O ator, dedicado às comédias, ensaiava passos no drama, e resolveu dar uma guinada justamente num épico gigantesco. A escalação de Black, Brody e Watts provou o talento de Jackson na escolha de seus elencos. Além de hábil arquiteto de sequências de ação, o diretor tem ótimo faro para atores. Apesar da dúvida de muitos, que perdura até hoje, o fato é que todos funcionam em seus papéis, principalmente Watts, que carrega o longa ao lado do gorila.

Com o elenco arriscado e praticamente o mesmo time que levou a saga do Anel às telas, Jackson criou um épico clássico. Embora se debruçasse sobre as maiores e melhores tecnologias da época, Jackson faz uma clara reverência aos filmes que moldaram o Cinema e ensinaram tantos artistas como ele.

Ao situar sua história na década de 1930, época em que o King Kong original foi lançado, o diretor capricha na direção de arte, figurinos e efeitos, tudo para criar uma experiência rica e quase tátil. Ao não trazer o monstro ao presente, o roteiro é uma bela homenagem ao cinema de antigamente, seja de forma direta, ao ter atores e equipe de filmagem como personagem, ou indireta, através de claras homenagens.

Um pouco demais

A longa duração e a estrutura remetem aos clássicos. A primeira metade é quase toda dedicada à apresentação dos personagens e seus dramas. Não há ação e a aventura parece nunca chegar. Quando chega, porém, é quase ininterrupta.

Na época, o trabalho dos efeitos visuais era o que se tinha de melhor e o mundo se viu maravilhado com os resultados. Sabendo da força de sua equipe e tendo muito dinheiro no bolso, Jackson resolveu usar mais efeitos computadorizados em Kong e menos cenários reais. Assim como em O Senhor dos Anéis, Jackson alia elementos reais a digitais para dar profundidade ao universo.

Enquanto Senhor dos Anéis envelheceu incrivelmente bem, parecendo moderno e inovador mesmo nos dias de hoje, Kong, entretanto, sofreu com a passagem do tempo. Embora o monstro protagonista siga impecável, alguns momentos deixam a desejar justamente pelo excesso.

O gorila, cujos movimentos vieram de Andy Serkis, ainda é uma dos melhores personagens digitais de todos os tempos, demonstrando uma enorme evolução a partir de Gollum. O monstro de 2005 é superior ao mais recente, do último longa, e jamais soa artificial. O mesmo não pode ser dito dos dinossauros, principalmente na sequência do “estouro da manada”.

Pé no freio

Faltou a Jackson uma leve pisada no freio. O topo do mundo lhe fez mal e lhe deu a sensação errada de poder absoluto. King Kong poderia ser um pouquinho menor, tanto na duração quanto na escala. O excesso é um mal que acompanhou o cineasta por vários anos, revelando-se como um dos maiores problemas da trilogia O Hobbit.

Ainda assim, King Kong é uma aventura imperdível e divertidíssima. O “romance” central funciona, a ação é afiada, o roteiro desenvolve seus personagens e o clímax tem a carga emocional certa para fazer tudo valer a pena.

Kong é, para todos os efeitos, o tipo de filme que vale a pena dar uma espiada sempre que está passando na TV. É o tipo de longa que seguiremos falando nos próximos anos, e revisitando com frequência, assim como os bons e velhos clássicos.

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