Crítica: Nasce uma Estrela estreia na Globo e você precisa (re)ver

Nasce uma Estrela

Nasce uma Estrela chega à TV aberta e merece uma (re)descoberta. Lady Gaga vale a pena.

Lady Gaga é uma artista como raramente se vê. Talentosa em tudo que se propõe, a famosa cantora pop não só é um sucesso absoluto na música como também tem inquestionável talento como atriz. Seus fortes posicionamentos políticos e sociais só arrematam um dos pacotes artísticos mais elogiáveis da cultura moderna. Gaga une a classe e a pompa das divas de décadas passadas com o vigor contemporâneo que pouco se encontra na indústria atual. Nasce uma Estrela é a confirmação da impecabilidade da moça como cantora e o nascimento de uma atriz irretocável.

Bradley Cooper, seu parceiro de cena e diretor do longa, percebeu o talento de Gaga para o drama e trouxe a cantora para uma história amplamente explorada pelo Cinema. Na versão de Cooper, lançada em 2018 e indicada a 8 Oscar, novamente acompanhamos a história de um cantor em fim de carreira que acaba esbarrando em uma garota simples, mas com um dom único. O surgimento de uma nova artista acaba ofuscando o velho cantor e o romance encontra os primeiros percalços.

Nasce uma Estrela merecia mais destaque no Oscar

Lançado em um dos anos mais fracos do Oscar (Green Book venceu, e na lista de indicados ainda havia o terrível Bohemian Rhapsody), Nasce uma Estrela esteve muito perto de ser um dos grandes vencedores da maior festa do Cinema. Desta forma, merecia em pelo menos três categorias, além daquela que venceu, de canção: Ator, Atriz e Ator Coadjuvante, para Sam Elliott. Na corrida pela estatueta dourada, Nasce uma Estrela chegou muito cedo. Ao final da disputa, portanto, quando a briga fica mais quente e acirrada, outros títulos já haviam ofuscado o drama musical de Cooper. Na grande noite, o estrago estava feito: Bradley perdeu para Rami Malek, numa das piores atuações vencedoras do prêmio; Gaga perdeu para Olivia Colman, de A Favorita, num papel excelente, mas muito mais cabível à categoria de coadjuvante.

Nasce uma Estrela funciona nas duas frentes que encara: como musical, entrega canções memoráveis, com destaque para Shallow, música que já conta com quase 1 bilhão de visualizações no YouTube. Como drama, o longa acerta ao não temer o impacto. O relacionamento e as dinâmicas do casal assumem o peso dos problemas. Em nenhum momento o alcoolismo do protagonista é utilizado como muleta narrativa, e Cooper sabe aproveitar ao máximo as possibilidades da situação tanto na frente quanto atrás das câmeras.

Bradley Cooper e Sam Elliott estão ótimos, mas Lady Gaga é sublime

Nesta perspectiva, vale apontar, ainda, a brilhante e subestimada performance de Sam Elliott. O ator, subutilizado pelas produções que participa, entrega uma atuação precisa, bem afinada entre a secura de um passado conturbado e a emoção de um presente que se extingue. No terço final, quando precisa encarar uma dura realidade, Elliott mostra uma faceta que pouco se viu em sua carreira. A sensibilidade do ator é genuína e seu breve monólogo é um dos pontos altos do filme.

O centro de tudo, entretanto, é mesmo Lady Gaga. Só a cena em que canta para o protagonista em um estacionamento já lhe valia um Oscar. Na sequência, Gaga começa a cantar a cappella, usando apenas a potência da voz e de uma letra pouco polida. É naquele instante que o homem em sua frente se apaixona de vez, pela mulher bem como pela artista. Além disso, é ali que a audiência se rende por completo aos talentos da atriz. O misto de vitalidade, vergonha, cansaço e curiosidade pode ser percebido nos olhos, feições e trejeitos de Gaga. Portanto, são sentimentos difíceis de expressar, e ela consegue exprimi-los quase que ao mesmo tempo. Ali nascia, mais uma vez, uma estrela já completa.

Nasce uma Estrela será exibido nesta segunda-feira, 23, na Tela Quente da Globo.

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