Crítica: Os 7 de Chicago, da Netflix, é drama competente e relevante

Os 7 de Chicago

O 7 de Chicago, novo filme da Netflix, conta história revoltante que reverbera até hoje

Assistir Os 7 de Chicago é como acompanhar uma masterclass de roteiro. Escrito por Aarson Sorkin, um dos roteiristas mais respeitados da indústria, o novo filme da Netflix é uma obra madura e precisa em sua narrativa. Os minutos iniciais, por exemplo, são uma aula de como apresentar personagens de forma econômica e objetiva, plantando pequenas pistas já no começo. É aqui, também que percebemos a qualidade da edição, que é um dos grandes trunfos da produção.

Além do roteiro e da edição, o elenco brilha do início ao fim. O time reunido aqui, aliás, é um dos mais estelares e talentosos dos últimos anos. Comandado por Sorkin, em sua segunda investida como diretor, o filme conta a história de sete ativistas que vão a julgamento depois que um protesto contra a Guerra do Vietnã toma rumos violentos. Sorkin faz um mistura interessante entre o clássico e o moderno. Seu longa é, ao mesmo tempo, um tradicional drama jurídico e um potente manifesto democrático.

Os 7 de Chicago capricha na edição para manter narrativa dinâmica e envolvente

Enquanto mantém-se contido como diretor, Sorkin utiliza todas as ferramentas narrativas que desenvolveu ao longo dos anos como roteirista. Este é o sujeito que escreveu A Rede Social, e conseguiu transformar a história de criação do Facebook em um dos melhores e mais relevantes filmes deste século. Sobra-lhe habilidade, portanto, para tornar uma narrativa primariamente lenta e verborrágica em um conto ágil e emocionante. Sorkin e sua equipe sabem o que fazer para tornar uma trama atraente, e todos os artifícios são utilizados para que isso aconteça. Embora não conte com a rapidez dialogal de A Rede Social, Os 7 de Chicago possui a mesma estrutura de flashbacks que dão ritmo ao projeto.

É aqui que entra em cena a qualidade da edição. O longa do Facebook, dirigido por David Fincher, também apostava na edição para criar um ritmo acelerado e quebrar a rigidez do texto e seu conteúdo. Na fita da Netflix a ideia é semelhante. Note os diálogos entrecortados entre ambientes distintos: perguntas realizadas no tribunal são respondidas ou completadas fora dali, em outro momento e por outros personagens. Esse vai e vem é preciso e move a trama adiante, além de desenvolver o número considerável de personagens.

Os 7 de Chicago

Elenco é um dos grandes destaques do longa

Neste sentido, vale ressaltar, o roteirista faz um ótimo trabalho ao trabalhar com um número alto de nomes e personagens, sem jamais confundir o espectador. O elenco, portanto, tem papel fundamental, já que os atores constroem seus papeis com características marcantes, permitindo que cada um tenha seu momento e seu perfil. Dentre os sete acusados, o destaque vai para Sacha Baron Coen e Jeremy Strong, dois atores subestimados e de notável potência dramática.

Nos outros bancos do tribunal, Mark Rylance novamente entrega uma atuação segura. O advogado dos sete é uma bússola moral que não se dobra frente às injustiças propostas pelo juiz de Frank Langella. O veterano, aliás, constrói um personagem que chega muito próximo da vilania, mas jamais cai no maniqueísmo da situação. Em papeis menores, Joseph Gordon Levitt e Michael Keaton também são dignos de nota. Espere para ver algum destes nomes surgir na temporada de premiações. A presença no SAG de Melhor Elenco é quase certa.

Filme não está livre de problemas

Ficando muito próximo do convencional e pesando a mão em alguns momentos, Os 7 de Chicago é um drama bem realizado e que não tem medo de usar nomes e termos de forma clara. Vemos, aqui, uma divisão social que fervilha nos dias de hoje, mas é tão antiga quanto a própria sociedade. Alguns discursos são exagerados, algumas repetições incomodam, a trilha sonora é um tanto manipuladora e o ufanismo meio pesado, mas o produto final é positivo e relevante. Para quem curte dramas jurídicos e busca entender um pouco da história contemporânea, é uma ótima pedida

Nota

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