Crítica: Planeta dos Macacos – O Confronto capricha na ação e faz importante releitura histórica

Planeta dos Macacos – O Confronto abraça o comentário social e político sem deixar de lado a ação

Quando Pierre Boulle lançou O Planeta dos Macacos em 1963, não imaginava que estava dando ao mundo uma das histórias mais veneradas e replicadas da história. O fato é que hoje, quase sessenta anos depois, a franquia é uma das mais bem sucedidas do audiovisual. Entre as décadas de 1960 e 1970, surgiram cinco filmes e uma série de TV. Uma nova releitura surge em 2001 e uma trilogia totalmente repaginada em 2010. Para completar, a obra ainda promete um novo reboot para os próximos anos.

Apesar da estranheza causada pela premissa (um planeta dominado por símios falantes), Planeta dos Macacos sempre despertou fascínio justamente por trazer um cerne absurdo, mas rodeado de comentários pertinentes. Ao trazer uma sociedade símia, Boulle, e as adaptações de sua obra, escancararam o melhor e o pior do ser humano justamente ao dar nossas características a “animais”. Quando os macacos do romance renegam a história e a cultura dos humanos, estamos testemunhado uma atitude que sempre tomamos no decorrer de nossa trajetória: de de diminuir ou apagar povos e suas criações.

O Confronto reforça que os mesmos erros assombram diferentes sociedades

A nova trilogia, apesar de se distanciar acentuadamente do material original, é a adaptação que mais se aproxima das ideias e conceitos. Planeta dos Macacos – O Confronto é um mergulho corajoso no subtexto político e social da narrativa. Trazendo a ascensão da sociedade símia e a quada da humana, o segundo capítulo traz o choque de dois mundos que explodem não por seres distintos, mas por serem cada vez mais semelhantes.

Não surpreende, portanto, que os erros cometidos por um lado geralmente são tomados pelo outro. Enquanto vemos um homem pôr em risco a relação turbulenta entre os grupos, acompanhamos a mesma atitude destrutiva em um dos membros símios. Fica cada vez mais claro, portanto, que um dos grandes maus deste novo contexto social é, na verdade, antigo: a incomunicabilidade. A falta de diálogo entre iguais e entre grupos é o que catalisa o conflito. Quando a guerra se inicia, constata-se apenas o absurdo do ruído e da falta de clareza entre vozes que são semelhantes, mas não se afinam.

Planeta dos Macacos – O Confronto funciona como ponte da trilogia e como história independente

Cabe a Matt Reeves, um dos diretores mais interessantes das últimas gerações, a difícil tarefa de comandar o “filme do meio”. Enquanto o primeiro tem a facilidade de iniciar uma história e o terceiro a de encerrar, o segundo exemplar tem a inglória missão de ligar dois pontos. Assim, O Confronto deve funcionar como ponte como obra isolada, independente. Neste sentido, o segundo capítulo se sai admiravelmente bem por começar anos depois do primeiro e contar uma história à parte, mas que não esquece suas origens.

Com isso, Confronto dá um passo adiante, continua a narrativa iniciada anteriormente e prepara o terreno para um desfecho épico. Nesta perspectiva, Reeves faz um excelente trabalho na condução de uma atmosfera tensa que explode em brilhantes sequências de ação. O ataque símio ao forte humano, no clímax do longa, é um raro exemplo de ação bem executada, com edição segura e fotografia clara. Reeves, que já comandara o excelente e intenso Cloverfield, capricha na agilidade e ensaia para o eventual – e irretocável – capítulo final.

Andy Serkis mostra que não há limites para um ator talentoso na captura de movimentos

No percurso, Andy Serkis comprova, mais uma vez, ser um dos melhores e mais versáteis atores da atualidade. Serkis é o representante mais gabaritado da captura de movimento e mostra, com segurança e talento, que é possível fazer o possível e impossível através da tecnologia. A entrega física do ator é memorável e cada olhar, expressão e palavra traz um peso que muitos artistas não conseguem transmitir.

Falando de história e política sem jamais soar didático, O Confronto encontra espaço para debater espectros extremos, líderes forjados na mentira e povos que caminham munidos de horror. No pacote, uma dose acertada de suspense e ação completam a experiência.

Planeta dos Macacos – O Confronto será exibido na noite de quarta-feira, 23 de julho, na Rede Globo.

Gostou deste artigo? Deixe nos comentários e, além disso, continue acompanhando as novidades do mundo dos filmes aqui no Mix de Filmes.

Igualmente, nos acompanhe em nossas redes sociais: Instagram e Twitter.

Nota

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *