Crítica: The Boys in the Band, da Netflix, é bom drama com ótimo elenco

The Boys in the Band

The Boys in the Band é adaptação de clássico de teatro. Na Netflix, vira um bom drama com ótimo elenco.

The Boys in the Band é uma adaptação de uma peça de teatro e, como tal, precisa tomar uma decisão que todos os filmes da estirpe encaram. O posicionamento parece simples, mas estabelece o sucesso ou fracasso da releitura: há de se manter fiel ao formato e espírito da peça ou desvirtuar totalmente do material original? Ao que parece, o novo filme da Netflix tenta as duas coisas, mas se sai melhor justamente quando tenta ficar o mais próximo possível do teatro.

Na trama, que se passa durante uma única noite, amigos gays se reencontram para uma pequena festa. A bebida rola solta, bem como a amizade genuína e as farpas costumeiras. É ao sair da sacada do apartamento e entrar na sala, investindo em um tenso jogo com o telefone, que o filme abraça suas raízes teatrais e cresce enquanto drama. O elenco inteiro mergulha de cabeça e a história se desenrola com naturalidade elogiável.

Filme demora para envolver, mas quando o faz, não solta

Até o momento em que os rapazes começam a ligar para antigos amores e desafetos, The Boys in the Band demora a conquistar o público. Os personagens, embora possuam características marcantes que ajudam na identificação, não possuem apelo imediato. Neste sentindo, o longa é como as peças de fôlego, que precisam de tempo para envolver. Com os altos e baixos na relação de cada um, conseguimos nos importar com o grupo e suas individualidades.

Escrita por Mart Crowley, The Boys in the Band já ganhou uma porção de adaptações e releituras, tanto no cinema quanto no teatro. Uma das versões mais famosas é a dirigida por William Friedkin, antes de comandar clássicos como Operação França O Exorcista. A produção da Netflix, ao lado do recente revival da Broadway, entretanto, é a primeira que conta com elenco inteiramente gay. Além disso, o filme opta por manter a ambientação pré-1970, preservando figurinos, direção de arte e, infelizmente, o preconceito da época (que em grande parte se estende aos dias atuais).

Elenco de atores gays e ambientação pré-1970 dão peso ao longa

Ao contar com o elenco homossexual e firmar-se na época setentista, The Boys in the Band ganha um peso que vai além do drama momentâneo, de câmara. Desta forma, há uma relevância histórica que nos revela o mundo de ontem enquanto escancara os prós e contras do mundo de hoje. É interessante notar, portanto, que o novo longa se passa em um passado cada vez mais distante, mas assustadoramente perto, já que as primeiras encenações da história aconteceram nesta época.

O elenco inteiro tem a chance de brilhar, e cada ator entrega pelo menos uma cena impactante. Os destaques, porém, vão para Jim Parsons e Zachary Quinto. Parsons, que está se habituando a interpretar personagens complicados, facilmente detestáveis, é o centro da narrativa. Tudo funciona graças à direção segura de Joe Mantello. Veterano da Broadway, Mantello é um talentosíssimo ator, visto recentemente na minissérie Hollywood, também da Netflix. Em Boys in the Band, embora não arrisque no quesito técnico, comprova enorme talento na condução de seus atores.

Com uma abordagem sóbria e sincera, The Boys in the Band é um excelente roteiro que ganha vida com ótimo elenco. Na Netflix, acaba ficando no limiar entre o telefilme e o Cinema. A força da narrativa, entretanto, deve ecoar no público que tiver sorte de achá-la no catálogo.

Nota

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