Crítica: The Lie, da Amazon Prime Video, é suspense regular e absurdo

The Lie

The Lie tem ótimo elenco em trama absurda que desemboca num final inacreditável e revoltante

A Amazon Prime Video ainda não estourou como produtora de filmes originais. Ainda que esteja galgando um ótimo terreno no universo das séries, o campo da Sétima Arte ainda não decolou. Embora ajude na produção de alguns longas e coloque algumas produções originais no catálogo, nada de muito expressivo aterrissou na plataforma. The Lie, novo suspense da companhia, pode dar início a uma onda de filmes populares.

Lançado no festival de Toronto em 2018, o longa escrito e dirigido por Veena Sud demorou para encontrar um lar e lançamento adequado. Em 2020, em uma parceria entre a Amazon e Blumhouse (famosa produtora de filmes e séries de horror), o projeto chega às telas dividindo o público e a crítica. The Lie é o que chamamos aqui no Brasil de “filmes de Super Cine“, um suspense barato, ligeiro, que agrada durante a assistida, mas é esquecido assim que a TV é desligada.

Pessoas comuns e situações adversas é o motor da narrativa

Na trama, um pai dirige com a filha e uma amiga da jovem. Entediadas, as garotas pedem que ele estacione, para que possam ir ao banheiro e esticar as pernas. Enquanto espera, o sujeito ouve um grito e corre para ver o que aconteceu. Encontra, então, a filha sozinha, chorando pois acabara de empurra a amiga de uma ponte. Começa, aqui, a fuga e a omissão de um pai para acobertar a filha.

Histórias do tipo correm o Cinema há anos, tanto que The Lie é remake de um longa alemão. Aqui, a ideia é a mesma de sempre: trata-se de uma narrativa de erros, em que uma decisão leva a outro problema que torna-se mais ou menos incontornável no contexto geral. É, portanto, o suspense da bola de neve, em que pessoas comuns se veem presas em situações atípicas que só pioram com o passar do tempo. Neste sentido, Sud consegue criar bons momentos de tensão, além de circunstâncias interessantes, que movem a trama.

Elenco é a maior força do longa – destaques vão para Peter Sarsgaard e Joey King

A roteirista, vale apontar, é responsável, dentre outros projetos, pelo sucesso The Killing. Ela sabe, portanto, como esquematizar as peças de um mistério e envolver o público em sua teia de reviravoltas. O problema em The Lie é que o plot twist é previsível e a rede de situações muito frágil. É daqueles suspenses que enlouquecem no final, deixando o espectador num misto de raiva e incredulidade. O elenco abraça o absurdo, e aceitam as batidas estapafúrdias da narrativa como se fosse um drama de Shakespeare.

Neste sentido, Peter Sarsgaard, Mireille Enos e Joey King fazem um bom trabalho com o que tem disponível. Sarsgaard sabe dosar a preocupação de pai encurralado com a raiva eminente de um homem prestes a explodir. Parte desse desequilíbrio explorado pelo ator é importante para criar um perfil mais complexo para a garota, vivida por King. A atriz, que já se revela como uma das melhores de sua geração, fica no limiar entre a vítima e a assassina fria a calculista. Enos, em comparação, empalidece, já que sua personagem não passa por altos e baixos tão explícitos como seus parceiros de cena.

Filmes faz parte de parceria entre Amazon e Blumhouse – outros 3 longas chegam em outubro

Boa parte das boas performances acabam caindo por terra com a revelação final. A atuação de Joey King, principalmente, acaba enfraquecendo e tornando-se questionável assim que o plot twist se apresenta. Além disso, no quesito visual, The Lie é tímido. Além de uma fotografia gélida, de paletas escuras e azuladas (algo que Veena Sud vem estabelecendo como sua marca registrada), pouco chama atenção na parte técnica do longa.

Fazendo parte do novo projeto entre a Amazon e Blumhouse, que lança quatro filmes na plataforma em outubro, The Lie prende a atenção em sua curta duração e se despede do público em uma nota desafinada. O bom elenco é o que segura o suspense até o fim, quando o roteiro joga a toalha e abraça a galhofa de vez. Para estabelecer a Amazon como respeitada produtora de filmes, fica devendo; para alavancar a plataforma como estúdio de longas populares, cumpre seu papel.

Nota

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