Em Cartaz: A Múmia… e as continuações que não funcionam

Ou “como um excelente filme vira continuações péssimas”

Múmia… Dessa vez nós vamos direto ao ponto, até porque nem o título nem o lead nos deixam muita margem. Nessa semana, nossa Coluna puxa da estante um título vindo do grande ano de 1999 – do qual certamente alguns dos nossos leitores não eram nascidos para ter lembrança.

Coroando o fim dos anos 90, 1999 foi um ano de títulos memoráveis como “007 – O Mundo Não É o Bastante”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, “A Espera de um Milagre”, “Beleza Americana” e até o revolucionário “Matrix”.

Embora todos esses sejam excelentes opções para a coluna, depois de finalmente ver o TERRÍVEL remake (estrelado por Sofia Boutella, Tom Cruise, Annabelle Wallis, Courtney B. Vance) de 2016 num canal a cabo genérico – sim, já no anúncio eu achava que seria ruim e acabei só vendo agora – era impossível não escrever sobre “A Múmia”.

Premissas, detalhes e o contexto

Antes de partimos para o meu já confesso favoritismo pelo filme de 1999, tiremos algumas linhas para apreciar a sinopse e o elenco. Aqui, eu vou tomar a sinopse emprestada do IMDb, que diz algo nas linhas de (tradução minha):

“Em uma escavação arqueológica na antiga cidade de Hamunaptra, um americano servindo na Legião Estrangeira Francesa acidentalmente acorda uma múmia que começa a causar estragos enquanto busca a reencarnação de seu amor há muito perdido.”.

Aqui, caso o bom leitor tenha visto o filme, ele vai ele talvez tenha algumas questões sobre as suas várias partes favoritas desse tesouro estadunidense, escrito e dirigido por Stephen Sommers e estrelado por Brendan Fraser, Rachel Weisz, John Hannah, Kevin J. O’Connor e Arnold Vosloo no papel-título como a múmia reanimada.

Há ainda um outro dado que não pode ser deixado de lado. Esse verdadeiro mimo do fim dos anos 90 é baseado – não chega à ter quase nenhuma similaridade então não conta como remake –  do filme homônimo de 1932. Este tinha Boris Karloff no papel-título, durante a onda de terror da Universal. Ou seja, junto com outros personagens feitos e refeitos ao longo dos anos, a figura da múmia, uma criatura reanimada por magia necromântica vinda do Antigo (e até misterioso) Egito é peça fundamental no imaginário.

Entretenimento completo para todos os gostos… com uma Múmia!

Nesse ponto, é preciso ressaltar talvez aquilo que mais me marca no filme. É um filme que atende a todos os gêneros. Claro, a pegada “de ação” – gíria de velho, eu sei – é predominante, mas ela é temperada com terror visual da mais fina qualidade. Tanto a reanimação, quanto toda a caracterização de Vosloo no papel do Sumo-Sacerdote Imhotep botam medo de verdade. Eu era pirralho quando assisti o filme pela primeira vez. um cinema pequeno que nem existe mais e por muito anos depois – quando o filme tomou as tardes de domingo da Rede Globo e por um período até a Record – algumas das cenas ainda eram, na minha mente de criança, assustadoras.

Há também o alívio cômico. A personagem da Rachel Weisz, que dá vida à Evelyn, a egiptóloga inteligente e desajeitada. Juntando vários dos estereótipos do que era o “nerd”, sem deixar de ser uma sátira de certa fragilidade. Ela tem o espírito para descoberta e o conhecimento, mas desenvolve o vínculo com o Rick O’Connel (Brendan Fraser), que era o tipo boy lixo byroniano (“mad, bad and dangerous to know), um arquétipo de donzela e cafajeste repetido à exaustão. Tanto a química quanto a dinâmica dos dois rendem excelentes momentos, complementados por John Hannah como Jonathan Carnahan.

Uma ressalva sobre a franquia

Vale mencionar ainda que embora ficcional – e extremamente impreciso e exagerado e branco – todo o mergulhar na mitologia egípcia dá espaço e asas para imaginação. Claro, no caso dessa franquia, degringolou para uma continuação mais ou menos, que até cria todo um protagonismo para a Rachel Weisz, mas termina por entregar um segundo filme ruim, um terceiro terrível e esquecível e um spin off  gigante do Escorpião Rei (Dwayne Johnson) que acabou sendo só um easy money para um ator bem meia boca. Isso para não falar do remake ridículo com o “Tio” Cruise, que eu fortemente defendo que deveria se chamar “Missão Impossível: Múmia”.

Mas vale assistir A Múmia?

A grande pergunta do amigo leitor é essa, depois dessa divagação – mais curta que o habitual, para você se empenhar em ir ver o filme – toda. Vale a pena assistir?

Categoricamente sim. Super vale a pena. Primeiro porque além de vez ou outra figurar na FX e no Megapix, está na nossa querida locadora vermelha, a sempre prática Netflix. É entretenimento divertido, com pitadas de terror e doses cavalares de ação, perseguição e tiroteiro, sem que os efeitos tenham realmente envelhecido muito mal. É toda a cara de fim dos anos 90 que um filme pode ter.

Assistir o segundo e o terceiro filme são por conta e risco do amigo leitor. Mas certamente a Múmia de 1999 é um título com todo gosto de nostalgia de um cinema que não se levava tão a sério. Sem a pretensão de ser grandioso, mas entregando em 125 minutos, aquilo que se propôs. Um filme simples, que só quer divertir o espectador.

Numa observação final, para me emprestar do que disse uma review do Thrillist (livremente traduzida): “Se você está com vontade de ver um filme de ação, romance, terror, areias de CGI esquisito, insetos que se enterram em sua pele comem você de dentro para fora, um gato, ‘história’ egípcia antiga, este é o filme para você. É realmente um filme para todos. Talvez só não para múmias.”.

É uma ótima pedida para um fim de semana ou uma tarde preguiçosa. E não é isso que todo mundo precisa vez ou outra?

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