Em Cartaz: Um Herói de Brinquedo

Fonte: 20th Century Fox/Reprodução

Ou o Natal de Arnold Schwarzenegger

Escrever sobre filmes de Natal também é escrever um pouco sobre a nostalgia da infância. Como criança dos anos 90, um filme que certamente não poderia faltar aqui é Um Herói de Brinquedo (1996). Embora eu seja também um grande fã dos filmes “de brucutu” estrelados por Arnold Schwarzenegger, é nessas comédias familiares que ele realmente brilha.

Filmes como Um Tira no Jardim de Infância (1990), Irmãos Gêmeos (1988) e Junior (1994) exploram uma faceta diferente do ator. Trazendo-o para um nicho de filmes que não se valem de roteiros complexos, mas do carisma exótico de Schwarzenegger em tramas rápidas, que abordam temas universais. Aliás, nada mais universal para as crianças dos anos 90 do que esse dramalhão familiar de um pai que trabalha além da conta e nunca está presente nas conquistas do filho.

Um resumo da nossa programação

Para não pecar na falta de uma sinopse, Um Herói de Brinquedo (Jingle All the Way no original) é uma comédia familiar de Natal de 1996, dirigido por Brian Levant e estrelado por Arnold Schwarzenegger e Sinbad, com Phil Hartman, Rita Wilson, Jake Lloyd, James Belushi e Robert Conrad.

Schwarzenegger dá vida ao atarefado Howard Langston (pai do adorável Jamie), um homem de negócios que está constantemente atrasado para os seus compromissos com o filho. Como era de se esperar, ele esquece de comprar o presente de Natal do próprio filho, um brinquedo que está esgotado em toda a cidade. Ele acaba por se envolver em altas confusões, junto com o aloprado carteiro Myron Larabee (Sinbad), que também está procurando um Turbo Man.

Nesse meio tempo, as repetidas ausências de Howard abrem espaço para que seu vizinho Ted (Phil Hartman), o solteirão super prestativo e pai do melhor amigo de Jamie tente se aproximar de Liz (Rita Wilson), esposa de Howard, que terá que fazer de tudo para recuperar, além da confiança de seu filho, a confiança de sua mulher.

Nós somos dominados por poderosos cartéis de brinquedos

Passada essa divagação da sinopse, é preciso começar pelo maior elogio ao filme. Ele é hilário. Sim, mesmo que a trama sobre o conflito familiar e o abandono emocional paterno seja coisa seríssima – e terrivelmente comum – é impossível negar o potencial humorístico aqui. O contraste de Schwarzenegger com Sinbad flui naturalmente e arranca verdadeiras gargalhadas do espectador.

Fonte: 20th Century Fox/Reprodução
Fonte: 20th Century Fox/Reprodução

Frases como “de acordo com a lei da oferta e da procura, o nosso novo preço para o boneco é o dobro” e “aquilo era realmente uma bomba?” marcam o filme e arrancam risadas desse que vos escreve até hoje.  O contraste com o policial vivido por Robert Conrad, além da verdadeira batalha campal com os Papais Noeis e de ser perseguido por (e nocautear) uma rena transformam tudo numa comédia das mais escrachadas.

Somado a isso, a trilha sonora eleva a história em vários momentos, e toda a sonoplastia do filme não deixa nada a desejar. Temos uma trilha pontuada por clássicos de Natal que ajudam a nos acomodar e até a relembrar do clima quando o filme se desvia dele. Onde o texto deixa a desejar, a trilha se esforça para compensar. Até mesmo na transformação de Howard em Turbo Man (pontuada por uma belíssima guitarra com tons heroicos) marca a virada do protagonista.

Um Herói de Brinquedo é realmente a resposta?

Aliás – e o amigo leitor já deve ter percebido que sou só elogios ao filme – esse é outro ponto muito positivo. A redenção de Howard. Essa virada nos vinte minutos finais acaba trazendo de volta a premissa inicial do filme. A trama da família, que havia sido misturada ao contexto dos presentes, é retomada e renovada.

Claro, o combate dos dois é, em doses iguais, engraçado e emocionante. É impossível não sentir uma pontinha de medo quando o pequeno Jamie começa a escalar o prédio e depois os enfeites. E sim, a cena de voo do Turbo Man é tão caricata quanto poderia ser. Mas é o aprendizado do próprio Jamie que faz toda o terceiro ato valer a pena. Ao invés de se contentar com o brinquedo da moda, é a atenção e afeição que ele tanto queria que ele acaba por receber. É a declaração honesta de amor de Howard pelo filho que faz ele abrir mão do boneco e perdoar o “vilão”

E para que eu vou querer um boneco se eu tenho um Turbo Man de verdade lá em casa?

Essa pequena literalidade do roteiro, já que o presente que o menino realmente queria era ter o pai presente com ele. Isso encerra o ciclo criando uma alegoria das mais linda. Um Herói de Brinquedo (1996) é daqueles filmes que é muito divertido de se ver em qualquer idade, mas que facilmente traz uma ou outra lágrima aos mais emotivos. O filme captura a essência dessa época, partindo da febre dos bonecos temáticos vendidos à época, como Cabbage Patch Kids e Mighty Morphin Power Rangers, passando por um drama familiar, com doses de ação e aventura.

Tudo isso é embalado em um segundo ato de pura comédia. Temos efeitos meio toscos, uma trilha sonora e sonoplastia espetaculares, fantasias chamativas e uma lição sobre o valor do amor e da família em detrimento dos bens materiais. Você quer mais? Essa maravilha está disponível no Disney+ e são somente 89 minutos de filme. Se tudo isso não te convencer a ver, rir e se emocionar com essa série de desventuras malucas protagonizadas pelo ex-Governador da Califórnia, eu não mais o que dizer.

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