Mix de Filmes elege os Melhores Filmes da Década

Conheça os 10 Melhores Filmes da Década de 2010

Fazer listas é tão difícil quanto prazeroso e divertido. Escolher os melhores dentre tantas opções é tarefa árdua e definitivamente falha. É certo que algo faltou, principalmente quando falamos dos melhores filmes da década. Desde a primeira versão desta lista, alguns títulos e posições foram trocadas sem cerimônia. Trata-se de um apanhado variado de obras, mas extremamente pessoal. Por isso, fique atento: a única coisa levada em conta aqui é a opinião do redator. Não foram levados em conta números de bilheteria, de prêmios ou relevância sócio-cultural.

A única regra é: foram considerados filmes lançados entre o primeiro dia de 2010 e o último de 2019 (e não venha dizer que a década começou em 2011!)

10 – A Árvore da Vida

Dirigido por Terrence Malick

A Árvore da Vida pode não agradar a todos, principalmente por seu ritmo lento, mas é inegável o reflexo da obra de Malick na cinematografia atual. O longa com Brad Pitt é daqueles que serão relembrados e citados no futuro, mesmo que seja apenas por sua inquestionável qualidade visual. A fotografia de Emmanuel Lubezki é não menos que sublime e a direção é fluida, como uma dança, como o vento. O resultado é de encher os olhos e a mente, além de propor acalento ao coração. Nenhum filme nesta ou em qualquer outra década trouxe a relação do Homem com a Natureza e o Etéreo de forma tão bela e profunda.

9 – A Separação

Dirigido por Asghar Farhadi

Na análise do banal, mas não menos complexo, Asghar Farhadi é mestre. O cineasta iraniano parte de um ponto simples para destrinchar as vidas de seus personagens. Um desentendimento acarreta uma briga que se alonga e machuca famílias. Farhadi é apaixonado pelo íntimo, pela simplicidade do cotidiano, abalado por acontecimento que fogem do controle e podem acometer qualquer pessoa. Em A Separação vemos a fragmentação de uma família onde ninguém está certo ou errado. São apenas seres-humanos tentando fazer o melhor possível com a realidade que lhes é dada.

8 – Antes da Meia-Noite

Dirigido por Richard Linklater

O cinema de Richard Linklater é marcado pelo tempo. Seja em suas animações, comédias ou sucessos de crítica como Boyhood, a passagem inexorável do tempo sempre é o centro das atenções. A trilogia Before é a síntese dessa paixão do diretor e roteirista. Os filmes, que acompanham um casal em três momentos distintos da relação, têm intervalos de nove anos entre si. Vemos os dois envelhecerem como pessoas e como amantes. No processo, testemunhamos o romance definitivo, doce e amargo na mesma medida, mas cheio de amor. Antes da Meia-Noite, mais do que os anteriores, carrega o peso do tempo: dos anos entre os momentos que assistimos e dos encontros que moldaram aquele casal. No final, o amor está como o pôr-do-sol: ainda está lá. Pode desaparecer, mas logo retorna.

7 – Django Livre

Dirigido por Quentin Tarantino

Django Livre é o melhor filme de Tarantino. Tudo converge aqui, com o diretor e roteirista no ápice de sua forma como contador de histórias visuais e lotadas de diálogos. Aqui, Tarantino cria a mais sólida galeria de personagens de sua carreira, faz homenagem ao seu gênero favorito e ainda afina a sutileza, criando situações mais sutis e, assim, mas espertas. O humor é latente e a violência pulsante. A trilha sonora é uma das melhores que a década passada produziu. E se ele merece ser lembrado por apenas um filme, que seja este.

6 – La La Land

Dirigido por Damien Chazelle

É engraçado perceber como as coisas mudam e acontecem em dez anos. No início da década, eu jamais poderia imaginar que um dos diretores de maior destaque nos anos seguintes seria um total estranho. Ninguém sabia quem era Damien Chazelle. Hoje, o cineasta é um dos nomes mais badalados da indústria. Seus três filmes mereciam estar nesta lista (sem exagero: Whiplash é certeiro e Primeiro Homem está perto de ser sua melhor obra), e o futuro parece promissor para o jovem diretor. La La Land é o melhor musical dos últimos anos. É a modernização do gênero e o parâmetro para os que virão. Para ser visto e revisto inúmeras vezes.

5 – Mad Max – Estrada da Fúria

Dirigido por George Miller

Existe um tempo antes de Estrada da Fúria e outro depois. Não que o filme seja milagroso (embora revolucione o cinema de ação), mas é que poucos realmente acreditavam na sequência de Mad Max. No máximo, seria uma aventura decente que tentava ganhar uns trocados em cima de uma marca antiga. Depois do lançamento, entretanto, tivemos público e crítica aos pés de George Miller. Para muitos, Estrada da Fúria é o melhor filme da década, um épico digno de figurar ao lado dos grandes clássicos. O tempo tem sido favorável, e o longo tem sobrevivido de forma exemplar. Não há, neste década, filme que tenha utilizado os artifícios do audiovisual de forma tão assertiva, unindo som e imagem numa orquestra afinadíssima do audiovisual.

4 – O Irlandês

Dirigido por Martin Scorsese

O Irlandês é a palavra final de Martin Scorsese, De Niro, Pacino e o cinema da Nova Hollywood. É tão importante, que parece marcar o fim de uma era, o testamento de deuses do cinema. O melhor de tudo? Todos eles estão vivos e prometem seguir trabalhando. Isso não tira o brilho de Irlandês, que é um dos pontos mais altos das carreiras de todos os envolvidos. É como se, depois de décadas, Scorsese e seu estrelado elenco decidissem mostrar tudo o que aprenderam, e colocassem seus corações em forma de película. Violento, bruto, mas também doce, belo, contemplativo e sensível. É uma obra que só Scorsese poderia fazer, e apenas agora, com toda a bagagem pessoal e profissional que possui.

3 – Inside Llewyn Davis

Dirigido por Joel Coen & Ethan Coen

Inside Llewyn Davis é o cinema dos Coen em sua forma mais pura, mas ainda melhor: o folk está presente do início ao fim. Em sua trama simples, Llewyn Davis é o retrato de uma geração e de um tipo de cultura que, assim como seu gênero musical, parece perdida no tempo. Inside é sobre o vazio, sobre a busca incessante de conteúdo e transformação em uma vida que parece já ter investido e perdido todas as fichas.

Não há finais felizes ou grandes catarses. Há penas o acaso: alguns fazem sucesso e se dão bem, no entanto, outros dão com a cara na porta. Alem disso, não importa quanto talento você tenha; se a hora não for a ideal, simplesmente não vai acontecer. A ironia final dos irmãos é mostrar um jovem Bob Dylan tocando no mesmo bar decadente que Llewyn. Poranto, a diferença é que pra um estava escrito, para o outro já não havia papel ou tinta para escrever qualquer coisa.

2 – A Ghost Story 

Dirigido por David Lowery

Nenhum filme retrata a dicotômica pequenez complexa de nossas existências. Nossas vidas são sopros no mar infindo do tempo, mas são universos inteiros quando fechadas em si. Ninguém nota o fantasma no canto da sala enquanto não somos o fantasma. A Ghost Story é a busca por propósito, por relevância na infinita tapeçaria da história humana. O que podemos fazer para sermos lembrados? Talvez a gente seja esquecido daqui a 100 anos, mas seremos lembrados enquanto estivermos aqui. Ghost Story talvez seja visto no próximo século e emocione da mesma forma, pois as angústias serão sempre as mesmas. O filme enfim cumprirá seu propósito: será lembrado e revisitado enquanto houver cinema.

1 – O Regresso

Dirigido por Alejandro G. Iñárritu

Desde 2016, ao listar os grandes e marcantes épicos do Cinema, faço questão de incluir O Regresso. Ao lado de clássicos, o longa de Alejandro G. Iñárritu não deixa de impressionar. Sua câmera é a prova definitiva de seu talento e controle enquanto diretor técnico. A performance impecável de DiCaprio e o impacto da jornada de Glass revelam um cinema pulsante, humano e ressonante. Enquanto muitos capricham apenas no visual ou no apelo emocional, O Regresso domina todos os aspectos. Cada frame é um quadro a ser emoldurado e cada sequência de ação é de tirar o fôlego. Como toda obra-prima, é difícil de ser categorizada ou comentada. Precisa ser vista e sentida.

Nota

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