Nada será como antes: o futuro do Cinema no mundo pós-pandemia

Como será o futuro do Cinema

Crises e situações inesperadas como as geradas pelo Covid-19 tendem a sacudir a indústria e a vida das pessoas – e o futuro do cinema está incluindo nisso.

Para muitos é o fim de muita coisa, para outros, é o empurrão que faltava para uma mudança ou tomada de atitude. Centenas devem ser aqueles que aderiram a ferramentas virtuais e novas formas de trabalho e comunicação depois que a proximidade social foi reduzida a quase zero.

O Cinema, em suas diversas esferas, lutava contra inúmeras polêmicas. A maior delas, talvez, seja o fortalecimento das plataformas de streaming. Assim como a TV, as vídeo-locadoras, a TV a cabo e a internet ameaçaram o Cinema tradicional (e umas às outras), o streaming também chegou para desafiar o status.

Que fique claro: nada vai acabar ou enfraquecer o Cinema. Entenda e tranquilize-se: a Sétima Arte é uma das formas de comunicação e entretenimento mais ricas e populares de todos os tempos. O que acontecerá nos próximos anos, com ou sem pandemia, é o rearranjo do terreno. Diferentes meios surgirão e encontrarão espaço, mesmo que se acotovelem e disputem público cabeça a cabeça.

O fato é que o Cinema perseverará e apenas terá sua atenção dividida, algo totalmente comum na sociedade moderna, que reparte os sentidos em dezenas de coisas diferentes. O que aconteceu com a chegada da pandemia é o choque.

O Choque

O choque que nos referimos é aquela sacudida que comentamos há pouco. Muita gente recebeu o empurrãozinho que faltava para mudar. O Oscar, por exemplo, que negou e nutria um tolo preconceito para com produções de streaming, agora altera o seu calendário (a próxima edição ocorrerá em abril!) e passa a aceitar obras exibidas apenas em plataformas como Netflix.

É uma mudança drástica para um grupo que insistia em regras jurássicas. Antes, um filme precisava passar por um número determinado de salas em localidades específicas. Só então poderia entrar para a lista de elegíveis. Com os cinemas fechados e a audiência crescendo em casa, é o Oscar que precisa correr atrás da máquina, e não a indústria se ajoelhar à Academia.

O impacto

O mercado do Cinema já perdeu horrores, sangrando diariamente. Há uns dias, a estimativa estava em 5 bilhões de prejuízo. Hoje, deve estar na casa dos 10 ou mais. A China fechou os cinemas já no início do ano, quando o vírus era apenas uma nota no noticiário, e o impacto já foi severo aí. Fora isso, o desemprego é assustador, assim como em vários outros mercados. Nos EUA, mais de 100 mil funcionários do audiovisual perderam seu sustento.

O poder do streaming

Os números não mentem: a Netflix passou a valer mais que a Disney no mercado. Estima-se que a procura por serviços de streaming crescerá 60%. O que era ameaça, virou salvação. Agora, os estúdios correm para colocar suas produções nos catálogos virtuais. Todo mundo quer um espacinho na internet.

Teve filme que sofreu, perdendo a chance de ir pra tela grande e sendo despejado de qualquer jeito no streaming (ArtemisFowl é um), mas teve filme que brilhou: Trolls 2 foi sucesso de público e Destacamento Blood, de Spike Lee, já é um dos favoritos ao próximo Oscar. É original da Netflix, não foi exibido nenhum dia nos Cinemas e ainda ficou de fora de Cannes, cancelado há semanas. O pesadelo se tornou uma promissora realidade.

O fato é que decisões e atitudes tomadas agora podem se tornar definitivas no futuro: o Oscar não deve voltar atrás e cortar as plataformas; o público deve ficar ainda mais dependente do streaming e as fatias de mercado devem se redesenhar.

O que muda?

Além de tudo que já falamos, há uma série de desdobramentos que podem mudar a face do Cinema como a conhecemos. São alterações que vão desde o cunho emocional e filosófico até o puramente comercial.

Assim como as pessoas passarão a dar mais valor a um abraço, elas também respeitarão e apreciarão ainda mais o escurinho do cinema e toda a experiência social que ele engloba. Sentar numa poltrona, assistir a um filme e dividir emoções com estranhos terá mais valor e sentido num mundo pós-pandemia.

É por isso que gente como Christopher Nolan, por exemplo, está lendo o mercado e saindo na frente. O cineasta, responsável pela trilogia recente do Batman, A Origem, Interestelar e muitos outros, não arreda o pé, e vai lançar seu novo épico, Tenet, em agosto. Ele sabe que quando os cinemas abrirem as pessoas vão correr para comprar um ingresso. Não importa que filme seja, elas apenas vão querer assistir algo. Sorte dele que será seu filme.

Não teremos filmes de menos… teremos demais.

Filmes não vão faltar. O acúmulo, na verdade, é uma preocupação. Com tantas obras sendo adiadas, é possível que a indústria infle e fique sobrecarregada de tantos lançamentos. É como consumir algo depois de um longo tempo de abstinência: o efeito pode ser negativo.

Olhe a Marvel por um instante: os filmes do estúdio, antes espaçados por vários meses, ficarão mais próximos. O mesmo serve para os longas voltados para o Oscar. Se o fim do ano já era lotado de novidades, agora deve ficar mais, com todos os astros e criadores buscando um espacinho para brilhar. A bilheteria pode pulverizar, a publicidade pode ficar ainda mais agressiva e o público talvez não tenha tempo ou paciência para acompanhar tudo.

Portanto, a janela de exibição também pode ser menor daqui para frente. Aquela história de esperar mais de três meses para ver um filme em casa pode acabar. Agora, a ideia é que os filmes saiam do cinema direto para um catálogo online. A indústria é contra, mas o mundo mudou e o público ganhou ainda mais poder de voto.

E você? Que filme quer ver depois que tudo isso passar? Conta pra gente nos comentários.

Nota

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