Nomadland, Netflix e mais: quem deve vencer o Globo de Ouro

Globo de Ouro

Vamos tirar uma pedra do caminho e deixar essa conversa bem clara? O Globo de Ouro é uma piada. Pronto, falei. É fato que a premiação da HFPA é uma chacota na indústria e entre a crítica. A associação de “críticos” conta com míseros 90 membros e é conhecida por indicar e eleger filmes e artistas absurdos ano após ano. Além disso, casos de corrupção abundam na história do prêmio. É sabido que votantes já foram subornados com mimos para que escolhessem determinados títulos.

A história de que o Globo de Ouro prevê o Oscar é balela. A premiação nunca foi termômetro para nada e perde relevância a cada nova edição. O que o Globo de Ouro ainda faz de positivo é reunir a indústria para comemorar e esquentar a corrida para o Oscar. Além disso, os Golden Globes são uma bela galeria, já que divulgam filmes que merecem atenção. Para completar, apesar de vários absurdos, a premiação tem o costume de indicar filmes e nomes novos, dando visibilidade a quem está começando.

Dito isso, vamos às apostas para o Globo de Ouro 2021.

Melhor Filme – Drama

Quem vence: Nomadland

Quem deveria vencer: Destacamento Blood (não foi indicado).

O melhor filme do ano sequer foi indicado ao prêmio. A ausência de Destacamento Blood é um dos maiores absurdos desta edição do prêmio. Nesta perspectiva, o favorito ao prêmio torna-se ainda mais favorito: Nomadland tem tudo pra fazer bonito nas premiações que antecedem o Oscar.

O que pesa contra Nomadland é seu caráter indie e contemplativo. O histórico do Globo de Ouro aponta uma preferência por filmes mais populares e rentáveis (Avatar no lugar de Guerra ao Terror, O Grande Hotel Budapeste no lugar de Birdman, O Regresso no lugar de Spotlight). Desta forma, Os 7 de Chicago pode surpreender.

Trata-se de um drama correto da Netflix, com direção e roteiro de Aaron Sorkin, um figurão de Hollywood. O discurso humanista, principalmente em momentos como o atual, pode garantir pontos positivos no desempate. A briga, portanto, deve ser entre os dois, com leve vantagem para o drama de Chloe Zhao.

Melhor Filme – Comédia ou Musical

Quem vence: Borat – Fita de Cinema Seguinte

Quem deveria vencer: Hamilton

A categoria de Comédia ou Musical deveria ser extinta, pois serve apenas para envergonhar o Globo de Ouro e seus votantes. Ano após ano títulos absurdos são nomeados na categoria. Este ano, ao menos dois são totalmente duvidosos. The Prom, projeto morno da Netflix, e Music, fiasco de crítica que tem recebido feedback extremamente negativo acerca de sua abordagem sobre o autismo.

A briga pela vitória é acirrada entre Borat Hamilton. Em um mundo coerente, Hamilton seria o franco favorito, mas alguns pontos prejudicam a produção. Primeiro: o fato de Hamilton ser uma peça prejudica suas chances, pois muitos podem não encará-lo como Cinema/filme. Além disso, o amor dos votantes pelo musical é claramente pequeno, haja vista os poucos indicados do elenco em categorias de atuação.

Já Borat é sucesso: tanto Sacha Baron Cohen quanto Maria Bakalova são favoritos nas categorias de Ator e Atriz. Premiar o filme na categoria principal seria o movimento lógico dos votantes. Além disso, Cohen teve um ano brilhante, sendo indicado também por Os 7 de Chicago. Seria a coroação de um bom trabalho. Hamilton pode já ter ganhado Tonys demais…

Melhor Direção

Quem vence: Chloe Zhao, Nomadland

Quem deveria vencer: Chloe Zhao, Nomadland

Este é o ano das mulheres na direção. Dos cinco indicados na categoria, três são mulheres. Para coroar este momento, a vitória de Zhao é iminente. E merecedora. O trabalho da cineasta em Nomadland é belíssimo, tanto na parte técnica quanto na condução dos atores e narrativa. Sua câmera observadora percorre os espaços com naturalismo e sensibilidade.

Sua vitória pode ser ameaçada por David Fincher, monstro do cinema moderno que tem o amor do Globo de Ouro. Mank é uma superprodução da Netflix que perdeu força na corrida, mas ainda pode assustar. Premiá-lo aqui seria uma forma de pulverizar os prêmios e agradar o máximo de títulos e nomes possíveis.

Saliento: a ausência de Spike Lee e Destacamento Blood é imperdoável.

Melhor Roteiro

Quem vence: Os 7 de Chicago

Quem deveria vencer: Nomadland

A força de Nomadland não é o roteiro, mas a força de Os 7 de Chicago é, sem dúvidas, seu texto. Aaron Sorkin é um dos roteiristas mais respeitados da indústria, e seu trabalho em Chicago é reconhecidamente um dos mais difíceis do ano. Vencer na categoria de Roteiro é afirmar o favoritismo em Melhor Filme ou pulverizar as estatuetas. De todo modo, a fita é favorita.

Melhor Ator – Drama

Quem vence: Chadwick Boseman, A Voz Suprema do Blues

Quem deveria vencer: Delroy Lindo, que sequer foi indicado. Neste caso, Anthony Hopkins merece o ouro.

Entenda: Boseman está incrível em A Voz Suprema do Blues, mas não é, nem de longe, a melhor atuação do ano. Lindo tem esse título, seguido por Hopkins, Ahmed e outros tantos. A Voz Suprema é um filme que fica abaixo das expectativas e é realmente a atuação de Chadwick, ao lado de Viola Davis, que garante o sustento da obra.

Ainda assim, é um prêmio que soa mais como homenagem a um excelente ator do que reconhecimento de um trabalho específico. De todo modo, é uma vitória que não incomoda e não será injusta.

Melhor Atriz – Drama

Quem vence: Carey Mulligan, Bela Vingança

Quem deveria vencer: Vanessa Kirby, Pieces of a Woman

Ficou nítido que o Globo de Ouro amou Bela Vingança. Indicado a diversas categorias, o filme deve garantir, pelo menos, a estatueta de Melhor Atriz. Além da bela atuação de Mulligan, a vitória é uma forma de homenagear o projeto e não deixá-lo de mãos vazias.

Quem merecia o ouro, entretanto, é Vanessa Kirby. Pieces of a Woman é um filme bem melhor do que apontam e sua performance é a força do longa.

Melhor Ator – Comédia ou Musical

Quem vence: Sacha Baron Cohen, Borat

Quem deveria vencer: Sacha Baron Cohen, Borat

Lin Manuel Miranda está excelente em Hamilton, mas Sacha Baron Cohen teve um ano irretocável. Esperto, engraçado e com notável talento para o drama, Cohen é uma das vozes mais inteligentes e ousadas da indústria. Seu humor, muitas vezes absurdo, corta fundo e ressoa muito mais que os discursos mais polidos e verborrágicos. Duplamente indicado (ele também concorre por Os 7 de Chicago), Cohen pode – e merece – levar uma bela noite.

Melhor Atriz – Comédia ou Musical

Quem vence: Maria Bakalova, Borat

Quem deveria vencer: Maria Bakalova, Borat

Bakalova é uma das favoritas ao Oscar de Atriz Coadjuvante, o que a coloca na dianteira em uma categoria relativamente fraca. Esta pode ser a noite de Borat, e a vitória de Bakalova seria mais uma joia na coroa.

Melhor Ator Coadjuvante

Quem vence: Daniel Kaluuya, Judas e o Messias Negro

Quem deveria vencer: Daniel Kaluuya, Judas e o Messias Negro

Cohen e Leslie Odom Jr. passaram meses como favoritos absolutos na categoria de coadjuvante. Kaluuya, entretanto, chegou com tudo em Judas e o Messias Negro. É o tipo de coadjuvante protagonista que rouba a cena. Além disso, o jovem ator tem sido um fenômeno em todos os projetos que participa. É uma das grandes revelações da década e o reconhecimento deve vir rápido.

Melhor Atriz Coadjuvante

Quem vence: Amanda Seyfried, Mank

Quem deveria vencer: Olivia Colman, The Father

Sem Maria Bakalova na corrida (ela concorre como protagonista), o caminho se abre para Seyfried, excelente em Mank. Como afirmamos anteriormente, o Globo de Ouro gosta de agradar o maior número de pessoas. Premiar Amanda seria uma forma de não deixar Mank, um dos maiores filmes do ano, de mãos vazias.

Quem ameaça a vitória é Glenn Close, mas seu filme é tão ruim que sequer merece menção.

Nota

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