O Sexto Sentido: 21 anos de um dos maiores suspenses da história

O Sexto Sentido

O Sexto Sentido é um dos maiores exemplares de um ano impecável, 1999

1999 é amplamente conhecido como um dos melhores anos do Cinema recente. Na virada do século, uma porção surpreendente de bons filmes chegou às telas quebrando paradigmas e estabelecendo um novo tipo de Sétima Arte. Foi ali, antes do novo milênio dar as caras, que a cinematografia atual deu o primeiro mergulho. E O Sexto Sentido é um dos maiores nomes desta invejável lista.

Um dos grandes atributos de O Sexto Sentido é ser um mega sucesso vindo do nada, sendo um roteiro totalmente original. Sem beber em livros, jogos, quadrinhos ou qualquer outra mídia, M. Night Shyamalan chutou a porta e se estabeleceu como um dos nomes mais quentes de Hollywood. Seu suspense, com doses cavalares de sustos aterrorizantes, foi número 1 em diversos países, ganhando muita grana e sendo um dos principais filme do Oscar naquele ano.

Muito mais que um final surpreendente

O que diferenciou O Sexto Sentido dos demais, logo de cara, é a abordagem dramática e séria a um gênero que vinha levando duros golpes nos anos 1990. O terror vinha sofrendo uma injeção de imbecilidade e escapismo desde a década anterior. Shyamalan, então, fez um drama focado nos personagens que, então, eram rodeados de espíritos. O sobrenatural aqui, embora presente do início ao fim, não é a magia do longa. São Haley Joel Osment e Bruce Willis que brilham em seus papéis e elevam O Sexto Sentido ao superestimado patamar da “arte séria”.

Soma-se a isso o trabalho minucioso de Shyamalan nas diversas camadas da produção. Do roteiro, afinadíssimo, que entrega pistas, mas jamais estraga a brincadeira, até a direção, cuidadosa e precisa em movimentos e quadros. O diretor, ainda novato, revela um talento de gente grande ao apresentar um projeto pensado e repensado do início ao fim, sem nenhuma linha fora do lugar.

Este preciosismo é algo que o cineasta repetiu com sobras em sua produção seguinte, o espetacular Corpo Fechado. Shyamalan pensa em cada cor, cada figurino e cada diálogo. Aqui está grande parte do segredo de O Sexto Sentido: trata-se de uma experiência que perdura por muito tempo, mesmo depois que os créditos rolam na tela preta. É uma obra que não se fecha em si mesma, e deixa o público pensando e debatendo por dias – anos! – a fio.

Sexto Sentido é o raro truque que melhora quando descobrimos seu segredo

Ainda hoje se fala em O Sexto Sentido. Ainda hoje o filme revela uma força que muitos produtos atuais não chegam perto. A prova da capacidade do longa como um todo é o fato de que tudo funciona, mesmo depois de a grande revelação vir à tona. Cada detalhe ganha uma riqueza diferente depois de sabermos o mistério por trás de tudo. Desta forma, Sexto Sentido é o raro truque que ganha pontos ao descobrirmos como é feito

Este trunfo, aliás, é muito maior do que se pensa. A Vila, do mesmo diretor, embora ótimo, perde parte de sua força depois que o plot twist é revelado. Alguns furos no roteiro são escancarados e a logística do projeto enfraquece justamente ao tomarmos conhecimento da verdade. Outros de seus filmes, como Sinais, embora ótimo, força as linhas da naturalidade ao inserir um plot twist onde não havia necessidade de surpresas. Desta forma, o impacto da surpresa de O Sexto Sentido é tão grande que afetou a carreira de seu próprio criador para sempre, que tenta, até hoje, replicar o efeito.

Só perdeu para Star Wars

Em 1999 o mundo presenciou o sucesso artístico e financeiro dos projetos originais. O Sexto Sentido, Magnólia, Beleza Americana Matrix, por exemplo, dividem a mesma qualidade: todos partiram das mentes de seus criadores e se destacaram mesmo sem o apoio de outras mídias ou material previamente conhecido. O suspense de Shyamalan, aliás, só perdeu para a bilheteria de Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma, algo que era realmente impossível de se bater naquele ano.

É curioso, portanto, perceber que um longa original, de um diretor desconhecido e com um ator em baixa só perdeu para uma megaprodução que seria um sucesso de bilheteria mesmo que fosse uma imensa bomba. Tanto é que Ameaça Fantasma foi uma decepção e mesmo assim lucrou milhões.

Boca-a-boca é a alma do negócio

O segredo para o sucesso na época foi algo que ninguém pode comprar. Por mais que as campanhas publicitárias tentem, não há nada nem ninguém que garanta o boca-a-boca. Não há nada mais poderoso e valioso para uma produção que os comentários do público, que se espalham pelo mundo e despertam a curiosidade dos outros.

A força de O Sexto Sentido viajou de palavra em palavra, chegando a ouvidos curiosos que buscavam pelo filme e continuavam o telefone sem fio. Em uma época em que o spoiler ainda não era o perigo que muitos fogem hoje, todos queriam saber o que rolava no desfecho do terror do momento.

É o boca-a-boca que garantiu o sucesso de Sentido em agosto, algo raro nos moldes de Hollywood. Para muitos, o mês de agosto é o momento dos estúdios despejarem produções desacreditadas, ou que não prometem grandes retornos. Ser um sucesso em agosto é um sucesso em si.

Ser um sucesso 21 anos depois, é um feito ainda maior.

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