Os 10 melhores filmes de terror de 2020

Terror

Na semana em que comemoramos o aniversário de John Carpenter, um dos maiores expoentes do terror, selecionamos os oito melhores filmes do gênero em 2020. E apesar de um ano complicado e atípico, tivemos diversos filmes assustadores de qualidade. Isso porque os projetos menores e independentes ganharam força, espaço e atenção em uma indústria que se limitou às plataformas de streaming e exibições online. E se tem um terreno em que o horror floresce, este é o de baixo orçamento.

Nesta lista, consideramos filmes de terror lançados em 2020 em seus países de origem. Alguns títulos são famosos, outros, quase totalmente desconhecidos. Aventure-se caso tenha coragem. Pegue minha mão, pois o caminho é seguro, mas vale muito a pena.

A ordem da lista é alfabética.

After Midnight

O terror, ao lado da ficção científica, é o melhor gênero para se abordar qualquer assunto. De temas políticos a intrigas conjugais, tudo e qualquer ideia pode ser encaixada no gênero. After Midnight usa um tempero de horror para falar sobre o duro fim de um relacionamento. Ou não seria o fim? O fato é que a parceira de Hank fugiu sem deixar rastros, e o sujeito ficou com a casa vazia para encará-lo de volta. Como se não bastasse, uma ameaça monstruosa e noturna tenta entrar na residência todos os dias. Mas Hank não vai desistir tão fácil, e vai lutar contra a solidão e o monstro com todas as forças. E bebidas possíveis.

Ameaça Profunda

Kristen Stewart é uma das atrizes mais interessantes da atualidade. Entre um filme cult e outro popular, a jovem vai experimentando diversos papeis. Em Ameaça Profunda, terror e ficção se misturam, com o fundo do mar parecendo o espaço. Tem espaço até para uma pegada lovecraftiana, com sequências sufocantes e cenas de ação muito bem orquestradas. É um filme direto, rápido e bem feito, que poderia ter feito mais bonito caso a pandemia não assolasse o mundo.

The Curse of Audrey Earnshaw

folk horror tem crescido nos últimos anos, principalmente depois do sucesso de público e crítica de A Bruxa. Em The Curse of Audrey Earnshaw uma comunidade sofre com uma aparente maldição que não se acaba. Enquanto todos os moradores sofrem com colheitas que não vingam e animais que falecem, a Sra. Earnshaw tem êxito em seus projetos, sendo a única propriedade que dá certo. Não demora para que os habitantes percebam algo de estranho – inclusive uma filha, que cresceu às escondidas. Trata-se de um terror introspectivo, mas com atmosfera pesada. O grande acerto é deixar claro, desde o início, o caráter de suas personagens centrais. Com isso, o roteiro pode explorar seu elenco e os desdobramentos de uma trama que caminha sob a pele.

His House

Depois de discutir a dor dos relacionamentos e a força e independência feminina, nossa lista chega em mais um título de relevância sociocultural. His House é um dos filmes mais importantes de 2020, e sua presença na Netflix merece ser descoberta. Na trama, um casal de refugiados escapa de seu conturbado país, mas encara um perigo igualmente mortal na nova casa localizada na supostamente segura Inglaterra. Espíritos do passado percorrem os corredores de uma casa e de um sonho aos pedaços. E o mais bacana: este é, ao lado de Host, o título mais assustador desta lista. Os sustos funcionam, a atmosfera é impecável e os simbolismo abundam através de um visual irretocável. É um dos títulos mais interessantes de 2020 em qualquer gênero.

Host

E já que o citamos, que tal discutir Host? O curto longa-metragem, lançado na plataforma Shudder, é a síntese de 2020: uma reunião pelo Zoom não termina como o esperado. Alguns amigos acreditam que invocar espíritos pelo aplicativo de videoconferência seria uma boa ideia. E é isso que eles fazem, com o auxílio de uma “especialista” que parece saber menos que eles. O problema é que as coisas do mal conhecem a internet e viajam pelo Zoom, o que rendem confusões sem tamanho para essa turminha do barulho. E por falar em barulho: prepare-se para uma porção caprichada de sustos e muito suspense. Host é simples e funciona do início ao fim. O diretor sabe explorar ao máximo o formato e a ferramenta, fazendo todos aqueles que já utilizaram a plataforma, sentir um frio na espinha. Às vezes, uma reunião com o chefe nem parece tão ruim.

O Homem Invisível

Sem dúvidas, o filme mais conhecido da lista. E um dos maiores sucessos financeiros de 2020. Também pudera: a fita foi uma das últimas lançadas antes da pandemia, e conseguiu lucrar uma boa grana. Na trama, Elisabeth Moss é uma mulher que foge das garras violentas do marido. Protegida na casa de amigos, ela tenta recolocar a vida nos eixos. Tudo parece mais tranquilo quando a notícia da morte do ex-marido chega aos seus ouvidos. Mas o sujeito, nem em morte, promete deixá-la em paz. Leigh Whannell, um dos maiores nomes do terror atual, comanda um suspense de visual e narrativa afiadas. Além da bela atuação de Moss, o roteiro não decepciona nas reviravoltas e decisões.

La Llorona

Terror da Guatemala que não deve ser confundido com o fraco A Maldição da Chorona. Aqui, um ex-ditador militar é assombrado, ao lado da família, por um fantasma de seu violento passado. É mais um exemplo da força do terror para discutir tema sociais e históricos, tudo com um punhado de sustos e diversão. A mesma história, por exemplo, não teria o mesmo impacto e ressonância caso fosse um drama convencional. É através do terror que narrativa e personagens crescem, e é pelo gênero que a mensagem percorre rapidamente e sem ruídos. O resultado é poético, embora dolorido, e dialoga notavelmente com o público brasileiro, que já passou – e passa – por momentos sombrios.

The Other Lamb

Um dos filmes mais bonitos do ano, muito graças à direção irretocável de Małgorzata Szumowska, é outro exemplo de narrativa feminista, sob o verniz do horror. Na trama, um grupo de mulheres vive isolado da sociedade, presas em um grupo na floresta. Uma das jovens começa a se tornar ciente da precária situação, e passa a questionar as decisões do líder do culto e de suas parceiras. É um suspense lento, mas de imagens exuberantes. A narrativa envolve e o resultado é relevante. Vale a pena descobrir.

Possessor

Assim como o pai, Brandon Cronenberg não segue os caminhos mais fáceis. Possessor é outro de seus filmes estranhos. Na trama, uma assassina professional executa suas missões ao possuir o corpo de uma pessoa, que acaba sendo a culpada pelo crime. Mistura eficiente de ficção e terror, Possessor capricha na violência, mas jamais esquece seus personagens. Apesar da estranheza de alguns momentos, é um filme de fácil compreensão, e que rende bons minutos de diversão. Andrea Risenborough rouba a cena no papel da assassina possuidora de corpos.

The Wretched 

O conceito das bruxas em árvores e/ou bosques não é inédita, mas The Wretched explora o clichê com inteligência. Trata-se de um filme que sabe brincar com o exagero visual e extrai bons sustos e cenas mais explícitas. Os clichês abundam, mas funcionam a seu propósito. Há carisma e sequências enervantes o suficiente para valer o tempo investido. Aqui, um garoto lidando com o divórcio dos pais encara o maior desafio de sua vida: uma bruxa que parece ter possuído a vizinha mais próxima. É um filme modesto, que fez relativo sucesso na era dos drive-ins e deve encontrar um público fiel na internet.

Nota

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *