Os melhores filmes de 2020: 1917, Destacamento Blood, Jojo Rabbit e mais!

Melhores filmes

2020 foi um ano em que os conceitos de cinema foram revistos. Produções independentes ganharam espaço e cresceram entre o público. Títulos que passariam despercebidos em outros anos, tiveram destaque nos últimos meses. Uma peça da Broadway se aloja entre as obras da Sétima Arte; projetos da televisão roubam um espaço que já deveria ser deles. E assim vamos conhecendo novas formas de se fazer, enxergar e entender cinema e seus melhores filmes.

Apesar de tudo, 2020 foi um excelente ano para o Cinema. Como sempre, compilar uma lista com os dez melhores filmes foi difícil, mas felizmente por bons motivos: eram muitos títulos merecedores para se incluir. E várias obras dignas ficaram de fora: Let Him Go, com Kevin Costner, é um tremendo suspense. Possessor, de Brandon Cronenberg, é um terror agoniante. Uma Vida Oculta, de Malick, é uma belíssima mensagem anti-guerra, enquanto Tio Frank, de Alan Ball, quase galgou a décima posição com atuação incrível de Paul Bettany. Além disso, Mank, de David Fincher, é outro notável exemplo do bom Cinema feito neste ano.

Sem mais delongas, entretanto, vamos ao que interessa: os dez filmes aqui listados foram lançados comercialmente no Brasil. Seja no Cinema, streaming ou TV, valem apenas títulos que chegaram ao nosso território. Lovers Rock, uma pequena obra-prima de Steve McQueen, foi exibida na TV inglesa e chegou ao catálogo da Prime Video americana. No Brasil, entretanto, não se tem notícias sobre o lançamento. Por isso, não consideramos para a lista de 2020.

A ordem da lista é decrescente, do décimo ao primeiro lugar.

Melhores filmes: Jojo Rabbit

10 – Jojo Rabbit, de Taika Waititi

A beleza pode ser encontrada nos momentos mais escuros. Esta talvez seja a maior mensagem de Jojo Rabbit, a comédia dramática de Taika Waititi. Muitos criticaram o roteirista e diretor por humanizar nazistas, mas esquecem que um líder monstruoso não faz um país inteiro ser igualmente repugnante. O sucesso de Jojo não vem das piadas ou gags visuais – muito embora estas funcionem -, mas das relações construídas entre os personagens. Os laços criados entre o garotinho central e os coadjuvantes moldam a estrutura firme de um filme que faz rir sem jamais esquecer dos horrores da guerra e do impacto que o conflito deixa nas pessoas. É de uma sensibilidade muito bem-vinda e relevante em dias como os de agora.

Melhores filmes: A despedida

9 – A Despedida, de Lulu Wang

Grandes filmes vêm de grandes ideias. A Despedida é uma destas obras que conquistam logo pelo conceito: ao descobrir que uma das anciãs da família está seriamente doente, uma família resolve inventar um casamento de modo que todos possam se reunir em uma festa e, assim, se despedir da senhorinha. O motivo do casamento arranjado? A vovó não pode desconfiar de nada e jamais descobrir sobre a doença. Como uma ideia não sustenta um filme inteiro, A Despedida ainda capricha no elenco, em especial Awkwafina, e cria situações e diálogos marcantes. No final, não só o pontapé inicial valeu a pena, mas a viagem inteira torna-se inesquecível.

Melhores filmes: Hamilton

8 – Hamilton, de Thomas Kail

Ao compilar a lista de melhores do ano, o maior debate interno foi: Hamilton é filme? As origens da produção são óbvias: trata-se de uma peça teatral. 2020, entretanto, nos apresentou a novas formas de cinema. Ainda que se elenco esteja no palco, a ida de Hamilton para as telas tem muito de cinematografia em sua composição. Primeiro porque todos os jogos de câmera, de quadros a movimentos, levem em conta uma lógica cinematográfica. Além disso, a edição dita um ritmo que é muito próprio da Sétima Arte. Para completar, a fotografia é toda adaptada para suprir as necessidades do vídeo. Em outras palavras, Hamilton é sim um filme, e um dos melhores do ano.

Melhores filmes: Tenet

7 – Tenet, de Christopher Nolan

Christopher Nolan e Warner Bros. queriam salvar os filmes e o Cinema em 2020. Não salvaram. Ainda assim, Tenet é um dos melhores títulos de um ano carente de produções em larga escala. Na ausência de outras megaproduções, Tenet tornou-se o blockbuster do ano, posto que assume com honras. Na trama intrincada, como é habitual de Nolan, desenrola-se um show de edição e fotografia, amparados pela música cada vez mais potente de Ludwig Göransson. John David Washington firma-se cada vez mais como um astro, enquanto Kenneth Branagh se diverte com um vilão caricato e magnético. Os diálogos não são dos melhores, mas o conjunto da obra garante o espetáculo, no típico filme que fica conosco, latejando em ideias e visuais arrojados.

Melhores filmes: Estou pensando em acabar com tudo

6 – Estou Pensando em Acabar com Tudo, de Charlie Kaufman

O relacionamento entre Charlie Kaufman e a história de Estou Pensando em Acabar com Tudo é antigo. Começou quando o diretor leu o romance de Iain Reid e disse que aquele era o seu “tipo de livro”. E a prova dessa conexão veio anos depois, com a irretocável adaptação de Kaufman para a Netflix. Como é comum nos filmes do roteirista/diretor, aqui vemos a mente conturbada dos personagens ganhando representações físicas no mundo real. Isso se considerarmos que o que assistimos é, de fato, o mundo real. Estou Pensando em Acabar com Tudo é o filme lento mais divertido do ano, já que esconde um infinidade de referências, ideais, diálogos e micro detalhes que enriquecem a experiência. A estranheza e o capricho da tapeçaria narrativa e visual de Kaufman só não são mais embriagantes que a performance precisa de Jessie Bukcley.

Melhores filmes: Honeyland

5 – Honeyland, de Tamara Kotevska & Ljubomir Stefanov

Como jornalista e amante de documentários, um dos primeiros pensamentos que me surgiram ao assistir Honeyland foi: que sortudos são os diretores deste filme. Isso porque a dupla responsável estava filmando um documentário sobre natureza quando esbarraram na incrível história da criadora de abelhas. É como se o melhor assunto de todos caísse pronto do céu. Honeyland é tão incrível em seus acontecimentos  que parece uma ficção roteirizada. As reviravoltas e batidas da narrativa são tão bem pontuadas que é difícil não pensar que tudo é um drama escrito por um bom roteirista. Mas não é. Trata-se apenas da realidade que se desenrola num remoto vilarejo na Macedônia. Belissimamente filmado, Honeyland ainda fez história ao ser o primeiro filme indicado aos Oscar de Filme Estrangeiro Documentário.

Melhores filmes: Joias brutas

4 – Joias Brutas, de Ben Safdie & Josh Safdie

Assim como Jim Carrey, Adam Sandler é um dos atores mais interessantes de sua geração. Sandler já provou seus talentos dramáticos em filmes como Embriagado de Amor, de Paula Thomas Anderson, e encontra em Joias Brutas o seu melhor papel. O ator tem tudo o que precisa para entregar belas performances – só é preciso um bom diretor para extrair estes talentos. Por sorte, os irmãos Safdie têm capacidade de sobra para garimpar o que há de melhor em qualquer ator. Joias Brutas é um thriller enervante que deixa o público à beira de um ataque de nervos. Numa mistura de irmãos Coen (a comédia – ou drama – de erros) com Scorsese (a violência e urgência), Joias Brutas é um sufoco que vale a pena passar.

Melhores filmes: Retrato de uma jovem em chamas

3 – Retrato de uma Jovem em Chamas, de Céline Sciamma

Quando vemos uma pintura no final de Retrato de uma Jovem em Chamas e nos emocionamos com um detalhe em sua composição, percebemos que o romance desenvolvido nos minutos anteriores foi impecavelmente construído. Quando a catarse chega, é que vemos se um romance funciona ou não. E a história de amor escrita e dirigida por Celine Sciamma funciona muito bem. Na trama, uma pintora é contrata para pintar o quadro de uma jovem mulher. O objetivo é criar um retrato fiel para que este seja enviado ao pretendente da moça, de modo que o rapaz possa se apaixonar e aceitar o casamento de bom grado. Mas no meio do caminho havia o amor. Havia o amor no meio do caminho, e a pintora se apaixona pela moça. Tem-se, aqui, um dos melhores romances deste século.

Melhores filmes: Destacamento Blood

2 – Destacamento Blood, de Spike Lee

Uma das melhores sensações para quem acompanha o Cinema de perto e ver um grande diretor no topo de suas faculdades artísticas. Em Destacamento Blood Spike Lee está melhor do que nunca, tanto como diretor quanto como roteirista. Na trama, que acompanha um grupo de velhos amigos que retornam ao Vietnã, Lee constrói um longa que pulsa questões sociais de ontem e hoje. Na busca pelo ouro e pelo corpo de um companheiro morto em combate, Delroy Lindo é o que mais brilha, numa performance digna de Oscar. Spike Lee usa todos os artifícios e truques que conhece para criar um épico gigante em escala e mensagem. As cenas de guerra e os monólogos são igualmente impactantes e o resultado é nada menos que irrepreensível.

Melhores filmes: 1917

1 – 1917, de Sam Mendes

Quando o jovem soldado protagonista de 1917 sai da trincheira e corre em pleno campo de batalha, vemos a apoteose de uma saga em frente e atrás das câmeras. É o clímax de um projeto ousado e único. Tendo estreado de modo acachapante em 1999 com Beleza Americana, Sam Mendes continuou fazendo grandes filmes nas duas décadas seguintes. É com 1917, entretanto, que o diretor alinha tudo o que aprendeu e entrega o que é um dos maiores espetáculos visuais dos últimos anos.

Muito desse sucesso se deve, claro, ao mestre da fotografia Roger Deakins. Além disso, a equipe de efeitos visuais merece um elogio exclusivo, já que a experiência em nenhum momento deixa de ser crível, mesmo que conte com inúmeros  efeitos digitais. Quando a corrida na Terra de Ninguém acaba e a missão está cumprida, o melhor filme do ano está finalizado. Podemos descansar, pois nenhum outro será melhor que este.

Nota

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