Oscar 2021: edição tem lista de indicados mais justa dos últimos anos

Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas mais uma vez revela sua lista de indicados ao Oscar. E como não poderia ser diferente, todo ano rende uma porção de discussões acerca de quem deveria. A boa notícia é que 2021 trouxe uma das nomeações mais justas dos últimos anos. Em uma lista robusta, o Oscar homenageou quem merecia e ignorou promessas vazias. Aqui e ali há uma ausência sentida, ou uma presença duvidosa. Ainda assim, trata-se de um conjunto sólido de nomeações. É irônico, portanto, que um dos anos mais turbulentos da história tenha gerado uma lista tão boa e justa. Depois de tantas mudanças na indústria e na arte, é positivo olhar para os indicados e perceber um avanço.

O Oscar que não caiu em armadilhas

Anualmente uma porção de armadilhas são montadas para os membros da Academia. São os chamados “Oscar bait”. São filmes produzidos apenas – ou em grande parte – para angariar indicações ao prêmio. Este ano há alguns. Era uma vez um Sonhoda Netflix, é o que mais chama atenção. Vergonhoso, o drama de Ron Howard é terrível em quase todos os aspectos. Mesmo assim conseguiu uma duvidosa nomeação a Atriz Coadjuvante, para Glenn Close e outra para Maquiagem e Cabelo. Felizmente é só isso.

Outros projetos são a cara do Oscar e estão sedentos por uma estatueta. Ainda assim, são produções que vão além e têm qualidade técnica e narrativa que garantem vida além dos prêmios. Mank Os 7 de Chicago são figurinhas típicas de Oscar, mas funcionam além da simples rotulação. Desta forma, é interessante perceber que alguns absurdos, felizmente, não aconteceram. Uma das ausências mais justas é a de Voz Suprema do Blues em Melhor Filme. A produção mediana da Netflix angariou uma porção de fãs e nomeações em prêmios anteriores, mas falhou em atingir a categoria principal do Oscar.

The Trial of the Chicago 7 Review: The World is Still Watching 50 Years On  | Den of Geek

Outras ausências positivas são Jared Leto, por The Little Things, e Chadwick Boseman, por Destacamento Bloodambos na categoria de Ator Coadjuvante. Boseman não é o melhor coadjuvante nem dentro do próprio filme, o que faria de sua indicação um embaraço. Já Leto está over em um filme fraquíssimo. Quem também ficou de fora da categoria foi Bill Murray, por On the Rocks. O filme de Sofia Coppola ameaçou entrar em algumas categorias, mas ficou totalmente de fora.

Algumas ausências dividem opiniões

Outras ausências dividem opiniões. Muita gente critica a falta de Regina King na categoria de Direção ou de Uma Noite em Miami em Melhor Filme. O fato é que Miami, assim como Voz Suprema, está muito abaixo dos oito finalistas da categoria principal. King, apesar do bom trabalho, entrega uma direção burocrática, pouco inspirada. É um projeto que se debruça demais nos diálogos e esquece de contar uma história visual. Não há nenhum quadro ou sequência que se sobressaia e justifique uma indicação.

O mesmo serve para Aaron Sorkin. Ainda que Os 7 de Chicago seja um bom filme, sua direção é muito modesta. Quem se destaca aqui é a fotografia e a edição, ambas justamente nomeadas. E por falar em modesto, The Mauritanian também ficou de fora. Apesar de algumas indicações ao Globo de Ouro e de marcar forte presença no Bafta, o longa de Kevin Macdonald amargou o esquecimento (de forma merecida) no Oscar.

Outros títulos mereciam destaque maior: Relatos do Mundo é um belo projeto de Paul Greengrass e Estou Pensando em Acabar com tudo é um dos melhores do ano.

Edição de 2021 é uma das mais justas dos últimos anos

Desta forma, entrou quem precisava entrar e ficou de fora quem tinha que sofrer o frio do esquecimento. A única ausência realmente sentida é a de Destacamento Blood em diversas categorias. O longa, um dos melhores de Spike Lee, era um dos favoritos há alguns meses, mas teve uma queda enorme nas últimas semanas. Delroy Lindo, por exemplo, não só merecia entrar como Melhor Ator como devia vencer o prêmio. A fita ainda merecia espaço em Fotografia, Edição, Roteiro Original e Som. Ficou apenas com a lembrança em Trilha Sonora, justamente um dos setores mais básicos de toda a produção.

Alguns pontos ainda precisam ser levados em consideração. Ainda que artistas negros tenham garantido vagas em muitas categorias, Melhor Filme segue majoritariamente branco. Filmes de negros sobre histórias negras acabaram ficando de fora, como Destacamento Blood Voz Suprema Miami, títulos tidos como certos até a manhã de hoje. É o mesmo “fenômeno” que aconteceu no Bafta deste ano: minorias por toda parte, menos na categoria principal. De todo modo, os avanços são sentidos e merecem ser notados. Em um ano tão ruim, é muito bom ver que o Oscar reconheceu tanta gente merecedora e obras realmente dignas da alcunha: “indicado ao Oscar“.

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