Pantera Negra: o último evento épico que foi além do Cinema

Pantera Negra

Pantera Negra reconquista enorme popularidade e reforça seu caráter de evento e relevância

Pantera Negra foi um evento, não um filme. Quando assisti ao sucesso da Marvel nos cinemas, em um mundo pré-pandemia, a sala estava lotada. Há muito eu não presenciava um cinema tão cheio e tão vibrante. Não estávamos ali para curtir um filme, mas testemunhar um marco. Não que o longa seja perfeito, pois está longe disso. Há problemas tanto técnicos (os efeitos são precários em vários momentos) quanto narrativos, mas todos eles são irrisórios se comparados às qualidades, ao impacto e ao brilhante elenco, comandado por Chadwick Boseman.

Com a morte do ator na última sexta-feira, 28 de agosto, Pantera Negra voltou a ser sucesso na internet. Tanto em plataformas legais quanto ilegais, o filme está no topo. E não só ele: praticamente todos os projetos de Boseman estão em notável popularidade em sites e vídeos. Parece que, de repente, o mundo se deu conta do talento do artista e da quantidade surpreendente de filmes bons em sua carreira.

Serve como um alerta, portanto, para que prestemos mais atenção em alguns de nossos atores, atrizes e criadores de conteúdos. Chadwick construiu uma carreira invejável em pouco menos de uma década de ascensão no cinema. Agora as pessoas percebem, e agora se lembram: Pantera Negra realmente era – e é – gigante.

Pantera Negra quebrou recordes e barreiras

Primeiro filme de super-heróis indicado ao Oscar de Melhor Filme, Pantera Negra quebrou barreiras que inúmeros tentaram anteriormente, mas sem sucesso. Além de um estrondoso sucesso financeiro, a produção se estabeleceu como um símbolo de identificação, algo que nenhum outro filme do gênero conseguiu. Mulher Maravilha, da DC, chega perto da relevância social, mas não teve o alcance, a ressonância, de Pantera. 

Crianças negras que careciam de um herói, de uma inspiração, ganhavam um exemplo nas telas e na cultura pop. Para uma criança, ver alguém como ela, com a cor de pele dela, ser um herói, é um incentivo, uma felicidade. Imagine você, que se orgulha de ver um personagem ou artista brasileiro em produções gringas; o orgulho, a alegria. Pois é, esse reconhecimento que você sente não chega nem aos pés da identificação criada por um projeto como Pantera Negra.

O vilão que faz sentido 

A sensibilidade social e política de Pantera Negra é tanta, que mesmo o vilão tem códigos e objetivos claros e compreensíveis. Embora tome caminhos violentos e, muitas vezes, escusos, Erik Killmonger tem um ponto de vista que faz sentido. Não é exagero apontar, portanto, que a dualidade de T’Challa e Killmonger reflita as diferenças de dois ícones históricos do movimento negro norte-americano: Martin Luther King e Malcolm X. Nenhum dos dois está errado em seus pontos de vista, mas há uma clara diferença no caminho tomado para se chegar a um denominador comum.

O herói do coletivo 

É curioso que tanto o Pantera Negra quanto Chadwick compartilhem habilidades semelhantes. Pantera e Boseman sabem quando dar um passo para o lado e deixar um companheiro brilhar. Pantera raramente luta sozinho e suas ações geralmente são tomadas tendo o grupo em primeiro lugar. Boseman, à semelhança de seu personagem, também tem a sutil qualidade de deixar um parceiro de tela brilhar.

Não é por ser um mau ator que outros brilham em cena. É justamente por ser um excelente ator que seus colegas têm a chance de se destacar. De Michael B. Jordan a Letitia Wright, todos têm momentos de grandeza. São coadjuvantes, “suportes” não para Chadwick, mas com Chadwick. Pode ser uma diferença boba, mas faz toda a diferença no sucesso do filme, do artista e da pessoa que era Boseman.

Ter e dividir

Essa é uma das grandes ideias que Pantera Negra tenta passar adiante: ter e dividir. A riqueza está em Wakanda, mas pode estar nas vilas do terceiro mundo, nos subúrbios dos grandes países. Neste aspecto, Pantera Negra é um herói muito mais bondoso e preocupado com o bem-estar geral do que Thor ou Capitão América, que muitas vezes são tomados e guiados por problemas estritamente pessoais, como o amor perdido ou o amigo desaparecido. Pantera sabe que seu objetivo é muito maior que qualquer ganho pessoal.

Chadwick Boseman também sabia.

Nota

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