Por que o filme O Guarda-Costas é um clássico?

Próxima Sessão: O Guarda-Costas

“Ele é meu o guarda-costas!”

Ok, com esse lead eu não enganaria ninguém, e isso dispensa maiores introduções. Nessa Sessão, tiramos da caixa de DVD’s – embora em algum lugar eu ainda tenha o VHS – um dos favoritos de todos os tempos de muita gente, a começar por esse que vocês escreve: O Guarda-Costas.

O Guarda-Costas” (The Bodyguard) é um suspense romântico de 1992, dirigido por Mick Jackson e escrito por Lawrence Kasdan – de quem vocês se talvez tenham ouvido falar em títulos como “Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida” e “Star Wars: O Império Contra-Ataca” ou “Star Wars: O Despertar da Força”. Originalmente o roteiro foi vendido nos anos 70 para as caras de Diana Ross e Steve McQueen, mas o projeto só engatou com Kevin Costner e Whitney Houston (em sua estreia nas telonas) nos papeis principais.

Ele, um ex-agente do Serviço Secreto dos Estados Unidos que virou guarda-costas e é contratado para proteger a personagem de Houston, uma estrela da música, de um stalker desconhecido. Frank Farmer serviu como parte da proteção presidencial durante as presidências de Jimmy Carter e Ronald Reagan. Já ela, no papel de Rachel Marron, é uma superstar da música indicada ao Oscar que está sendo perseguida e ameaçada de morte. Um durão e uma diva pop alegre. O filme respira anos 90 com tons de anos 60 e só isso já é excelente.

Na época o Washington Post traçou uma sinopse pelas linhas de “é uma grande bagunça boba de uma história de amor, um circo multimídia de videoclipes, jornalismo de entretenimento, thriller de ação e melodrama de filmes dos anos 60, realizado pelo casal dos sonhos dos anos 90, Whitney Houston e Kevin Costner.”. Realmente o filme não é muito mais complexo do que isso – nem precisa.

“Não importa o quanto os assassinos sejam incompetentes (…) tem sempre uma pessoa que é atingida”

Contudo, é preciso começar pelos dissabores que são inegáveis, para testar a boa vontade do amigo leitor. É um filme longo. Duas horas e dez não é fácil para alguns espectadores. Também é inegável que é uma narrativa clichê de “opostos se atraem” e “policiais valentões que salvam o dia”, tudo isso temperado com uma trilha sonora espetacular.

Aliás, no departamento de clichês, esse é um que não pode ser deixado de fora. Frank Framer não vive, ele sobrevive. A imagem da casa dele deixa isso bem claro. E é a esse homem, que já começa o filme protegendo um cliente – matando um suspeito – que a vida da estrela Rachel Marron é confiada, depois de uma tentativa de atentado com uma boneca bomba.

Datado?

Aqui vale fazer uma tremenda ressalva. O filme tem algo que não fica tão evidente em outros títulos, que é a absurdamente enorme (redundante, eu sei) atmosfera de anos 80 e começo dos anos 90. Carros, música de fundo, o próprio plano e ângulo em que o filme é cortado em vários pontos grita early 90s. Certamente esse é um fator que deixa o filme um tanto menos atrativo à geração 2010, não pela duração do filme (alô Avengers três horas e tanto), mas pelo ritmo bem mais arrastado em certos pontos.

Cabe aqui outra observação. Em certa dose, é sim uma trama meio previsível de uma irmã maluca Nikki, ofuscada pela irmã mais talentosa, que contrata um assassino. É bem um drama mexicano até. Um que tenta – as vezes sem sucesso – ser vendido como algo mais denso e complexo. Surpreende um total de zero pessoas então que, ao fim do segundo ato, essa irmã revela que é responsável pelo contrato e informações que guiam o assassino. Mas somos surpreendidos nesse ponto por realmente haver um stalker obcecado, mas também tem um assassino obcecado – e eles não são a mesma pessoa!

“Daquelas músicas em que alguém sempre abandona alguém”

Claro, nesse ponto o amigo leitor deve se questionar “então por que [insira seu palavrão de preferência aqui] eu teria interesse em assistir isso!?”. Essa, caro leitor, é uma pergunta muito válida, com uma resposta mais simples – e perfeitamente aceitável – que o próprio roteiro. . Entretanto, a resposta é muito mais simples do que parece, quase tão óbvia quanto o roteiro em si.

Existe um motivo maior para você assistir esse filme, um que não pode deixar de ser exaltado: a fantástica trilha sonora. As músicas da própria Whitney (e sua interpretação para a maioria delas) acabam por preencher e dar vida – além de uma nostalgia absurda – ao roteiro. “I Will Always Love You”, “Run to You” e “I Have Nothing” são alguns exemplos de músicas que transcenderam o filme e marcaram a década. Essas que são, como a própria Whitney diz no filme, “daquelas músicas em que alguém sempre abandona alguém”, povoaram os bailinhos e romancinhos de toda uma década.

Vale notar, e aqui me empresto abertamente dos dados da generosa Wikipédia, que a trilha sonora do filme esteve por 20 semanas consecutivas em primeiro lugar no Hot 200 da Billboard, tendo vendido nada menos que 44 milhões de cópias no mundo. Além disso, “The Bodyguard: Original Soundtrack Album” é a trilha-sonora mais vendida da história e o quarto álbum mais vendido de todos os tempos, sendo o mais vendido da década de 90.

“E você morreria por mim?”

Agora uma observação bem mais minha. Muita coisa pode sim ser dita sobre o Kevin Costner – muita coisa mesmo! – mas uma não pode ser negada: ele é um ator muito transparente. Das piadinhas à genuína má vontade que ele expressa no começo do filme. Toda a sátira e desgosto que ele demostra ao show business são o texto tentando acompanhar o evidente desgosto do personagem por ser forçado a trabalhar com alguém daquele meio. A cena em que ele quebra a cozinha toda sem fazer esforço para dar uma surra num dos membros da equipe é um belo exemplo disso.

Mas ele simplesmente se transforma – e isso é um tremendo mérito dele para a trama – ao longo do filme com uma plasticidade enorme para se adequar a personalidade da sua protegida. Ao mesmo tempo, essa versatilidade é algo que você não espera dele se você não o viu em “Dança com Lobos” (1990) ou só lembra dele pelo famigerado “Waterworld” (1995) ou como essa versão de Jonathan Kent do “novo” (?) DCU – se você não pegou essa, ele é o “pai” na Terra do Clark Kent vivido por Henry Cavil em “O Homem de Aço” (2013) e “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” (2016).

Ainda é importante lembrar que esse é um filme que merece ser assistido dublado. Embora exista uma beleza no texto original, a característica dublagem – que conta com um sonoro “Versão brasileira: Herbert Richers” – é um espetáculo à parte. Além da dublagem, é um elenco bem mais diverso do que aquele que vimos e um ponto que mencionei lá no texto sobre Mudança de Hábito.

“Faça o seu trabalho. Você é o Guarda-Costas.”

Tem algo que eu realmente adoro sobre esse filme. Algo que cheguei a mencionar por alto no texto sobre “Mudança de Hábito” inclusive, que merece nota. O filme parece sim ser extremamente óbvio. Todas as cenas de cuidado de Frank com Rachel fazem parecer e até nos levam a torcer por um romance do casal. É óbvio, simples… Um tremendo clichê até. Contudo, isso só acontece parcialmente. Certamente é algo que na época decepcionou muita gente, mas não deixa de ser genial.

Você torce, espera e até quer que eles terminem juntos. Existe um sentimento inegável ali. Mas assim como no começo do filme, ao final, Frank segue para o próximo trabalho, para cuidar da próxima pessoa. Eles não terminam juntos. Isso, para nós que fomos acostumados com a “covardia do final feliz” dos anos 2000 acaba por ser tão impactante que faz o filme merecer ser visto, revisto e apreciado hoje em dia. Claro, eles têm uma grande despedida. Claro, ele pega (e mata – sim, spoilers) o assassino. Porém, é isso. Cada um segue para o seu lado. Ela, para sua carreira astronômica e ele para a segurança de mais uma figura que corre riscos.

Para não terminar sem uma anedota realmente das minhas, Rachel foi indicada ao Oscar e grande parte da trama se movimenta em função disso. A curiosidade é que de acordo com o filme esse seria o 67th Academy Awards, também conhecido como o Oscar de 1995. Nessa edição da premiação, títulos como “Forrest Gump”, “Lendas da Paixão”, “Pulp Fiction” e “O Rei Leão” estiveram na premiação. Outra pequena anedota é o filme de 1992, estreou no Brasil, trazido pela Rede Globo – atual detentora dos direitos de exibição no país – justamente em 1995.

Ainda vale dizer…

P.S.: Eu queria ter quebrado a estrutura do meu já incomum texto e ter feito essa inserção antes. Mas nesse ano, fazem já oito anos que, com apenas 48 breves anos, Whitney Elizabeth Houston nos deixou, em 11 de fevereiro de 2012. Certamente uma das maiores vozes – muitas vezes a imprensa se referia a ela como A Voz (“The Voice”, o que não é uma referência ao programa de TV). Ela deixou um imenso legado, digno de ser comparado ao de Frank Sinatra e Aretha Franklin. Ela figura entre os 500 Maiores artistas de todos os tempos da Revista Rolling Stone. Essa voz lendária não deve ser esquecida. Nós, os nostálgicos fãs, sempre vamos amar você.

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