Sexta do Terror: Madrugada dos Mortos (2004)

Madrugada dos Mortos (2004)

Você já assistiu Madrugada dos Mortos?

Madrugada dos Mortos não é somente a estreia do tão amado e tão odiado diretor Zack Snyder no cinema, como também um dos melhores da carreira do cineasta. Esse é um Remake do filme Despertar dos Mortos de 1978, do grande diretor George Romero, o pai dos zumbis na sétima arte.

O grande acerto do filme é concentrar a sua trama em praticamente um único lugar: um shopping center. Isso é interessante não apenas porque torna possível o desenvolvimento de alguns personagens, como também evita que o longa caia em armadilhas tão comuns em filmes do gênero. Geralmente, nesse tipo de obra, quando a trama gira em torno de “buscar um lugar seguro” ou “procurar comida/achar comida”, é muito comum que se caia na conveniência dos jumpscares. E ainda que isso possa nos trazer belos momentos visuais, grotescamente falando, é algo que quebra muito o ritmo do filme e tira impacto dele.

Felizmente, Madrugada dos Mortos não segue este caminho, pelo contrário, é um filme que entende o que é essencial para sua narrativa. Obviamente não estamos falando dos zumbis e sim das interações humanas, do convívio social entre os indivíduos e como eles se comportam e agem em situações adversas (quer algo mais adverso que um apocalipse zumbi?). Sendo os mortos vivos apenas um pano de fundo, servindo de metáfora para a nossa sociedade. Afinal, em situações como essa quem, de fato, perdeu a sua humanidade? Quem virou os monstros? Os quase mortos ou os vivos?

Zumbis e o Leviatã

Sempre que assisto a filmes com essa temática e Madrugada dos Mortos é um dos principais, faço um pequeno paralelo com a obra Leviatã do filósofo inglês Thomas Hobbes. Principalmente quando ele fala a respeito de que os humanos são egoístas por natureza, sendo necessário um contrato social para que se estabeleça a paz e não exterminemo-nos uns aos outros. E é sempre interessante observar, que nesse tipo de história, a primeira coisa que cai por terra é a nossa civilidade, a nossa humanidade. Se utilizando da máscara: “tudo que for necessário para sobreviver” existem personagens que fazem uma verdadeira barbárie nessas histórias.

Aqui, o filme também não foge disso. Mas, talvez, por equilibrar de forma muito inteligente a ação com o desenvolvimento de seus principais personagens, não se existe maniqueísmos. Logo no primeiro ato, quando um grupo de sobreviventes encontra o outro, o filme até ensaia essa possibilidade. Dividindo os personagens, de certa forma, entre mocinhos e vilões, mas logo isso cai por terra. Não sendo, necessariamente, uma questão de humanizar os, até então, vilões e sim de expor os motivos e crenças de cada um e deixar a cargo da audiência a interpretação.

Sendo muito inteligente como o filme pega a sua temática apocalíptica zumbi e a utiliza no desenvolvimento e nas decisões de seus personagem e isso até parece meio óbvio. Entretanto, você percebe que mesmo se não houvesse zumbis naquele mundo, algumas das passagens, alguns dos dilemas seriam os mesmos.Contudo, a utilização do tema do filme a favor da história faz com que isso seja bem mais significativo.

Conclusão

Madrugada dos Mortos honra de maneira impressionante a obra em que se baseia. É um filme que deixa a sua marca, pelo desenvolvimento da sua narrativa. Merecendo destaque também na forma como trabalha seus personagens. Direção adiada e roteiro de primeira, vale muito a pena ser visto.

Pessoal, na coluna “Sexta do Terror” vamos trazer uma crítica de um filme do gênero a cada semana. Portanto, se vocês possuírem sugestões deixem nos comentários abaixo. A gente se encontra na próxima sexta, até lá 🙂

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