Sexta do Terror: O Farol (2019)

Uma passagem só de ida num espiral de descida a loucura!

A coluna dessa semana avança 1 ano para trazer um elogiável e aguardado lançamento de 2019: O Farol. Filme que não apenas trás o diretor Robert Eggers em seu segundo longa, após ter entrado em hollywood com os dois pés na porta com: A Bruxa, mas também dois dos mais conceituados atores atuais: Willem Dafoe e Robert Pattinson.

Na sinopse temos: Ambientado no final do século XIX, o filme conta a história de um novo zelador que chega numa remota ilha da Inglaterra para ajudar o faroleiro local. Contudo, o fato de estarem sozinhos e isolados do restante do mundo causa tensão na convivência entre os dois homens.

É curioso pensar que Eggers está apenas em seu segundo filme, sendo que a assinatura do diretor já é totalmente reconhecível aqui. Em ambos os filme o diretor nos convida para uma. E apesar de, como dito acima, a assinatura do diretor ser perceptível em ambos, são viagens totalmente distintas. Se em A Bruxa embarcamos na ideia de um filme de terror sem jups scares, com um ritmo “lento” e que vai condensando toda a sua pressão narrativa para o grande finale (que é surpreendente). Em O Farol embarcamos nessa viagem lisérgica, psicodélica, que nos mostra a grande possibilidade de deterioração da mente humana.

Porque é bom?

Além dos excepcionais aspectos técnicos (que iremos falar daqui a pouco). O Farol se sustenta, principalmente, na “visceralidade” da interpretação de seus protagonistas. O filme tem o tipo de história, em que a entrega dos seus interpretes é fundamental e a falta de um casting perfeito, poderia colocar tudo a perder. Felizmente, não é isso que acontece aqui, Dafoe e Pattinson entendem e acreditam em todas as passagens de seus personagens e o resultado disso em tela é algo extremamente poderoso.

Dafoe tá sempre excelente em qualquer papel que interpreta, mas o filme já inicia com a personalidade do seu personagem muito bem definida. E ele segue assim durante todo o primeiro e segundo atos do filme. Além disso, usando uma forma que cabe a Pattinson o papel mais difícil, já que há um foco e maior construção em cima do personagem e é cobrada mais camadas do ator por conta disso.

A narrativa apresenta muitas idas e vidas e com uma montagem, propositalmente, bagunçada. Vale ressaltar que, muitas vezes, não conseguimos definir o que é flashback e o que é presente. Isso faz com o que filme seja mais reflexivo e interpretativo, daqueles que você termina de assistir e vai debater com os amigos e/ou procurar teorias na internet. O que é excelente!

Tecnicamente impecável

Visualmente O Farol também é belíssimo. Sua fotografia em preto e branco (que foi indicada ao Oscar) é deslumbrante. Bem como a já citada montagem cumpre o seu papel, além claro da trilha sonora – que é incrível. A edição e mixagem de som também não deixam a desejar, toda a ambientação, o som das ondas quebrando na praia, as gaivotas, tudo é muito crível e ajudam, e muito, a imersão na história.

Conclusão

O Farol não é aquele tipo de filme que você assiste se divertindo numa tarde e comendo pipoca. Mas isso não é um demérito, pelo contrário. O filme é uma verdadeira obra prima moderna no terror, que nos mostra (tal qual O Bebê de Rosemary, já resenhado aqui na coluna), o quão poderoso pode ser o terror psicológico. Afinal, o que seria mais assustador do que as nossas próprias mentes?

Até a semana que vem 😉

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