Sexta do Terror: O Nevoeiro (2007)

o nevoeiro

O Nevoeiro é a síntese de tudo que há de bom numa história de horror criada por Stephen King

Quem pensa em terror, pensa em Stephen King. Goste ou não do autor norte-americano, é impossível desassociar o gênero do escritor que é um de seus maiores expoentes. Dentre dezenas de romances e uma porção enorme de adaptações, qual o melhor filme baseado em King? O espectador casual pode apontar O Iluminado, outros tantos indicarão Um Sonhos de Liberdade. O fã mais ardoroso, como eu, vai dividir a pergunta e devolvê-la com outro questionamento? Você quer saber a melhor adaptação dramático, de horror ou a mais fiel?

Conta Comigo, clássico oitentista de Rob Reiner, é meu filme favorito. Mas é um drama. Não há um pingo de sobrenatural por lá. Assim, qual o melhor filme de terror baseado em Stephen King? A resposta é simples: O Nevoeiro. Depois de comandar dois drama impecáveis (Um Sonho de Liberdade À Espera de um Milagre), Frank Darabont investiu em sua terceira inclusão pelo universo do escritor. Então, finalmente mergulhando no terror, o cineasta abraçou o desafio sem medo e fez uma belíssima homenagem ao cinema de horror B, trash, feito com pouco dinheiro e muita paixão.

O Nevoeiro é adaptação fiel de conto publicado em Tripulação de Esqueletos

Baseado no conto O Nevoeiro (que de tão grande pode ser considerado uma novela), da antologia Tripulação de Esqueletos, o filme de 2007 é uma das adaptações mais fieis de uma obra de Stephen King. Assim como fizera em suas releituras anteriores, Darabont segue a narrativa à risca, levando personagens e diálogos às telas quase sem alterações. Na trama, uma pequena cidade do Maine é assolada por uma tempestade devastadora. No dia seguinte, vários moradores se dirigem ao supermercado para reabastecer as dispensas. O problema é que depois da tempestade não bem a bonança, mas algo muito pior: um denso nevoeiro que traz, em seu âmago, criaturas assassinas e nunca vistas.

Presas no mercado, cuja fachada é inteiramente de vidro, as pessoas tentam sobreviver não só à ameaça sobrenatural, mas uns aos outros. Desta forma, O Nevoeiro, como a maioria das histórias de King, está interessado nas relações interpessoais dos personagens. Embora os monstros garantam a diversão, os sustos e o sangue, são os personagens bem desenvolvidos que sustentam a história e as ideias.

É a dinâmica entre os personagens que carrega qualquer boa história de horror

E o longa de Darabont, assim como o material de origem, está recheado de ideias. Ao trancar seus personagens em um espaço relativamente pequeno e sob pressão, O Nevoeiro levanta questões básicas, quase primitivas, acerca do comportamento humano. Não demora, por exemplo, que vários grupos sejam formados: há o time da racionalidade, que quer levantar prós e contras de cada decisão, há o segmento do que querem apenas esperar e sobreviver e os que apelam à religião para entender a inusitada situação. Não há certos e errados sob a perspectiva de King/Darabont, apenas um punhado de humanos perdendo a cabeça.

Esta, aliás, é uma das melhores características do filme e de toda a carreira de Stephen King: colocar pessoas normais sob circunstâncias adversas. O terror aqui não é o do caçador de fantasmas, ou o matador de monstros. A situação inteira recai sobre pessoas normais, seguindo suas vidas e sendo surpreendidas por um fenômeno totalmente irreal. Com isso, O Nevoeiro consegue inserir o público em seus questionamentos, mesmo que os monstros vistos aqui estejam completamente fora da realidade possível.

Filme de 2007 tem assustadores paralelos com a atualidade

Nesta perspectiva, substitua os monstros com ares pré-históricos por qualquer outra ameaça mais palpável, como um vírus mortal. Você colocaria sua vida em risco para ajudar uma mulher que precisa resgatar seus filhos em outro lugar? Você sairia da segurança do mercado para buscar remédios para alguém que sofre de dor?

Portanto, analisando O Nevoeiro hoje, quase quinze anos após a sua estreia, o filme torna-se ainda mais assustador e relevante. E, além disso, se levarmos em conta o isolamento forçado que as pessoas do mercado precisam encarar para sobreviver, a coisa fica mais tensa. Em uma espécie de quarentena forçada, os nervos ficam à flor da pele, as máscaras caem e uma verdadeira luta por sanidade e sobrevivência começa. Não se surpreenda com o fanatismo religioso que não tarda em aparecer, ou o fascismo escondido nos rostos mais improváveis.

Desfecho é um dos mais arrebatadores já criados

Darabont queria homenagear os antigos filmes de terror B, clássicos dos anos 1950, bem como os dos anos 1960, etc. O resultado é um longa de terror arrojado, com ótimos personagens, grandes questionamentos e técnica invejável. Levando-se em conta o orçamento do projeto, é admirável o uso de efeitos práticos e cenários. Tendo ciência da verba limitadíssima, do prazo apertado e da urgência que precisaria imprimir em uma narrativa que se passa em apenas um espaço, o cineasta convocou a equipe de filmagens da série The Shield. 

Tendo trabalhado em episódios da série, Darabont testemunhou a rapidez da equipe de filmagens. Segundo o diretor, o grupo conseguiria dar conta do recado em poucos dias e de forma irrepreensível. Como a produção televisiva precisa ser rápida e competente, a equipe de The Shield estava afiada para o desafio. O resultado se vê no longa, com movimentos rápidos, uso impecável de zoom, cortes precisos e notável uso de câmera de mão.

Então, tudo descamba em um final irretocável. Depois de seguir fielmente as páginas do conto, Darabont resolve mudar o final da história. Dessa forma, o resultado é um dos desfechos mais arrebatadores da história. Deixando o espectador sem chão, Darabont amarra todas as pontas e encerra sua narrativa num tom arrasador de desesperança. Um final que o próprio King afirmou ser melhor que o original.

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