Um Feliz Natal de verdade com Uma Invenção de Natal

Imagem: Netflix/Reprodução

A magia musical do Natal da Netflix

Uma Invenção de Natal (2020) é certamente o título da leva de produções natalinas da Netflix que mais me chamou atenção. Desde a chamada até o trailer, havia algo “a mais” no filme que parecia difícil de descrever e que quase que atraía o espectador em mim para o filme. De uma forma tão grande que eu precisei ver o filme algumas vezes para, passado o hype, ter algum foco para escrever essas linhas.

Como é com todo filme de Natal, existem algumas expectativas a serem alcançadas. A trama de superação, a “magia” do Natal, a abordagem do conceito de família, o amor transcendental, o perdão. Embora em alguns filmes isso acabe por virar “padrão”, ser quase como uma receita de bolo a ser seguida, outros filmes optam por usar e abusar da criatividade e das possibilidades para tratar esses temas. Aqui, felizmente, a Netflix faz exatamente isso.

Talvez o meu fraco por musicais tenha algo a ver com isso? Provavelmente. Ainda sim, a história simples, contada num passo moderado, cheia de atuações que enchem nosso coração de pura magia e embalado em canções que nos dividem entre infância nostálgica e vida adulta de superação entregam mais do que foi prometido. De toda a leva de filmes Natalinos da Netflix, depois da comédia romântica meio adolescente do Missão Presente de Natal (2020) – tem texto sobre o filme aqui na ColunaUma Invenção de Natal (2020) é indispensável na sua lista de filmes para ver nesse fim de ano.

A Invenção de Jeronicus Jangle

O filme nos envolve e deleita em todos os aspectos. Seja pelo figurino vitoriano, seja pela cor e brilho que contam uma história a parte, ou pelo compasso e ritmo adotados pela história. Nos sentimos simplesmente imersos do início ao fim. Aliás, aqui cabe uma observação. Tanto o áudio original quanto a dublagem – inclusive das músicas – é espetacular. Você se sente vendo uma das primorosas animações da Disney dos anos 90, mais alto elogio para um filme de Natal possível.

Outra menção que precisa ser feita é a grandiosidade dos números de dança. Tal qual o figurino e a cor, o filme procura usar a completude de todos os aspectos disponíveis para contar a história com essa miríade de recursos, todos eles integrados entre si. Juntos, esses recursos constroem o todo da narrativa de uma forma singular.

Uma Invenção de Natal?

Claro, não podemos dizer que a Netflix “inventou a roda” aqui. Filmes de Natal têm sim alguns marcos que precisam ser sempre tratados. Jung, Durand, Meletinski, Frye, Campbell, Dostoiévski, todos esses autores – e muitos outros – vão tratar justamente disso: a construção de arquétipos.  Contar uma boa história não é, necessariamente, criar o inexistente, extrair do nada algo novo. Tratar do imaginário coletivo, usar e ousar lidar com esses temas universais, embora repetitivo em certo nível, é fundamental.

Isso o Uma Invenção de Natal (2020) faz muito bem. Em vários momentos do filme a narrativa é totalmente transparente. Sabemos que essa ação vai levar àquela e que no final todas as coisas vão se ajeitar – talvez não exatamente como esperávamos, mas vão. Essa previsibilidade, quando não utilizada da forma correta, transforma a narrativa em algo pobre e raso. Aqui não é o caso.

O texto do filme, mesmo agarrado a todos esses marcos, clichês, componentes do imaginário coletivo dessa época, trata todas essas coisas com um esmero impecável. É quase como se, tal qual na cena inicial em que a avó lê o livro antigo, a Netflix tomasse algo antigo pela mão, lustrasse até restaurar o brilho, a cor, e nos fizesse redescobrir a beleza desse tesouro que está guardado conosco por todo o tempo. Mesmo num ano tão difícil.

Pegar emprestado e nunca mais devolver

Ricky Martin rouba a cena no filme como a voz de Don Juan Diego de uma forma que somente Gilbert Gottfried – lembram do Iago? O papagaio do maldoso Jafar, em Aladdin? – já havia feito em um filme. Cantando, dançando, sendo um ajudante vilanesco. Simplesmente rouba a cena em suas aparições. Competindo de perto com ele como coadjuvante de mais carismático certamente temos Lisa Davina Phillip como a Senhorita Johnston, cujo número musical e o lema “um sorriso espalha amor” são cativantes.

Ele traz um elemento fundamental para o ritmo da história: a integração dos brinquedos à narrativa. Em vários momentos, como o título sugere, as invenções são fundamentais para contar a história. Afinal, brinquedos fazem parte de todo filme de Natal infantil que se preze. A forma com que os pequenos bonecos entalhados num estilo de madeira incorporam um tom de stop-motion aos interlúdios da trama usam todas as nossas nostalgias.

Claro, Keegan-Michael Key faz um excelente papel como Gustafson. Ele assimila para si a ideia do “vilão de necessidade”. A ambição desmedida, junto à certa arrogância do jovem Jangle ajudam a fabricar o antagonista. Ele também adquire o lado cômico e até trapalhão, completando a receita necessária para o filme ser o que é.

É um mágico, místico, mundo de desejos e encanto

“Se um dia eu encontra-lo, vai ter gente como eu”. Com esse pequeno mote, Madalen Mills entra na história como Journey e cria uma dinâmica já clássica com o Jangle cheio de rancores e ressentimentos. Aliás, Forest Whitaker também surpreende. A voz baixa, o falar para dentro, a contrição de alguém preso pelo peso dos seus arrependimentos. Isso se transforma com a inserção da pequena faísca que é Journey.

Imagem: Netflix/Reprodução
Imagem: Netflix/Reprodução

Aliás, nessa marcha de elogios, um que não pode faltar é a ousadia da Netflix ao traduzir a “linguagem” da “magia de Natal” como algo muito similar à Matemática. Afinal – e falo isso como alguém que decididamente não é “de exatas” – se tem uma coisa que não parece infantil ou natalina. Claro, o tom meio Fantástica Fábrica de Chocolate tempera e modera esse aspecto matemático, e acaba dando o tom de conto de Natal infantil perfeito. Colocar nomes como “espetacular” e “sensacional” em equações complexas também ajuda a tornar a matemática mais “fofinha” para crianças. A guerra de bolas de neve é um exemplo perfeito disso.

Com canções de John Legend, uma trilha sonora espetacular e uma mensagem forte de superação, de acreditar no seu potencial e em conseguir ir além dos limites, Uma Invenção de Natal (2020) é a pedida certa para o seu Natal. O filme tem diversidade, cor, e pura diversão, tudo isso revestidos num conto de Natal cheio de magia. É como se as animações da nossa infância se encontrassem com um Natal vitoriano e um pouco com o Quebra-Nozes, com doses de Peter Pan. Todos os meus elogios aqui são ainda muito poucos para descrever a sensação de ver e se deixar levar pelo filme. Mergulhe nessa narrativa e deixe essa pura dose de magia musical alegrar o seu fim de ano.

Ainda estão aí? Já acabou

Para terminar, esse foi um ano difícil para todo mundo. Ainda sim, espero que, cada um do seu jeito, esses textos tenham encontrado e alegrado um pouco do final de ano de cada um de vocês. Eu me diverti muito escrevendo, vendo e revendo esses filmes, e espero que tenha sido assim para todos vocês. Então, como esse provavelmente é o texto que encerra a nossa Coluna nesse ano.

Aproveito para desejar a vocês que, mesmo em tempos tão sombrios, seja um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de renovação. Não serão tempos fáceis. Mas tudo vai ficar bem eventualmente. Acredite. Assim como com os brinquedos fantásticos do filme, acreditar faz toda a diferença. Para encerrar com o mote do próprio filme, “a magia não está só no que você perdeu, está no que você ainda tem”. Boas festas ^^

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